2017

2017/2: A Crônica Distópica

Mesma alegria, comemoração e promessas de sempre, mas toda festa tem um fim. As pessoas estão voltando para suas casas e despindo-se de peças brancas. Finalmente, irão encarar mais um ano qual, com certa expectativa, teria o poder de lavar a alma e as fazer sentir renovação, leveza e produtividade. Mas após a romantização do branco, é com as mesmas cores de horas antes que elas vão se deparar. Não há fuga se não para a luta.

 

Não há magia no calendário gregoriano, por isso, é melhor pensarmos um pouco sobre como continuar 2017. Um pouco mais de Temer, um pouco mais de Trump. Um pouco mais das melhores desculpas que vamos inventar para nós mesmos, aliás, somos nosso adversário mais forte. Não é motivo de decepção olhar pro espelho, hoje, e não enxergar nossas versões f*donas 2018, elas nem viriam mesmo. Sim, estou batendo nas suas costas agora, porque você consegue vencer mais fases do jogo se parar de pensar na próxima atualização e em como as funções serão melhoradas após mais um update (2019 version).

 

Se “o tempo é o melhor remédio”, não estamos preparados para mais um possível 7 a 1. Vem aí não, sempre esteve aqui, mais tragédia, mais intolerância, dias chuvosos, nublados ou ensolarados. O formato da página segue o padrão do livro e o estilo do autor, vire nós quantas quisermos. A história e os elementos mudam, redirecionam, mas não porque se trata de uma nova página.

 

Que tal pensar que estes tempos sejam para continuar enfrentando os problemas que não vão ter fim a curto prazo. Mesmo que eles atravessem 2017/3, 2017/4, nosso prazer seria lidar de forma maestra com o equilíbrio e a natureza da negatividade versus positividade. Não minta, 2019 está tão distante e já parece ser “um ano melhor que este” porque estamos acostumados, quase programados a pensar assim.

 

No fundo sabemos que será mais fogo contra fogo, nos campos de batalha longes daqui ou no cyber universo, facilmente visível de nossas “janelas”. Todas as vozes gritam que devemos chegar a algum lugar e confessemos, é difícil ignorar, mas não existe lugar a se chegar porque tudo que nos engloba continua, continua até que não façamos mais parte dessa eterna sequencia. Esta crônica, por exemplo, segue, segue e não irá chegar a lugar algum, e não precisa chegar, mesmo que tenha um ponto final, talvez já tenha cumprido sua função.

Texto/VAN: Sagner Alves

Arte/VAN: Sagner Alves

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