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A tradição da Folia de Reis e sua importância cultural

Os versos da canção intitulada “Festa de Santos Reis” do músico Brasileiro Tim Maia, fazem uma homenagem a festividade que é comemorada hoje, 6, em várias regiões do país. “Eles chegam tocando sanfona e violão. Os pandeiros de fita carregam sempre na mão”, assim descreve um dos trechos da música de Maia, representando a tradição que está presente em diversas cidades do Campo das Vertentes, como Nazareno, São João del-Rei e Conceição da Barra de Minas.

De acordo André Ribeiro, graduado em história pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), a prática da Folia foi trazida da Europa e incorporada na cultura brasileira. “Ações como essas proporcionam convergência de grupo e fortalecimento de laços de solidariedade, uma vez que a simbologia que elas carregam conduz a uma ‘cristianidade’ e uma vida de luta em comum. Essa prática tem a capacidade de fortalecer os vínculos, a memória e identidade de grupo por meio da ‘passada da Folia’ de casa em casa, momento do auge em que o simbólico se junta à materialidade do evento”, conclui.

A Tradição

Cantos, danças e estandartes compõem a manifestação. “As pessoas envolvidas cantam, dançam e carregam a bandeira da Folia até as casas como forma de devoção aos Santos ou aos três reis magos. Devoção essa que se revela também nas brincadeiras, contos e símbolos presentes no Éthos deste grupo. Ao mesmo tempo, remete a uma narrativa bíblica que enuncia o nascimento do Salvador do mundo na figura do menino Jesus”, afirma Ribeiro.

Patrimônio Cultural Imaterial

Segundo os dados do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), existem atualmente 1.215 grupos de Folias cadastrados no Estado de Minas Gerais, dos quais sete grupos são oriundos de São João del-Rei. Para Ribeiro, registrar práticas culturais tradicionais, historicizando as suas trajetórias e decodificando seus signos, juntamente com as comunidades envolvidas é uma forma de o conhecimento científico contribuir para a preservação e sustentabilidade dessas manifestações, que sofrem sistemática constrição pelas forças da produção do capital industrial e urbano. Em Minas Gerais as folias passaram a ser reconhecidas como patrimônio cultural imaterial no dia 6 de janeiro de 2017.

Texto/VAN: Thais Andressa

Foto/VAN: Thais Andressa

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