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FOTO/VAN: Andreza de Cácia

Agora são eles que falam!

Mesa redonda aponta caminhos entre a literatura e as artes plásticas. Alunos do Sesi SJDR participam de atividades no segundo dia de Felit

O segundo dia do Festival de Literatura de São João del-Rei começou com uma mesa redonda entre Ignácio de Loyola, homenageado deste ano, e os artistas que compuseram as intervenções artísticas dos Banheiros Temáticos do 6° Circuito Gastronômico do Felit. Com um tom agradável e sempre bem humorado, Loyola falou sobre sua vida e a relação que tem com suas obras. Durante a tarde, alunos de algumas escolas prestigiaram o espetáculo In Tube, realizado pela Companhia de Inventos,  no Teatro Municipal.

FOTO/VAN: Andreza de Cácia
FOTO/VAN: Andreza de Cácia

O clima de descontração da mesa foi propício para que o autor e os artistas pudessem trocar ideias e conversar sobre as artes, de forma geral, e contar um pouco sobre suas experiências pessoais. Loyola, ao abrir a mesa, afirmou que estava ali para ouvir os artistas que fizeram releituras de suas obras. “Agora são eles que falam!”. O escritor ainda elogiou o trabalho feito pelos artistas da cidade no projeto Banheiros Temáticos. “Em toda a minha carreira, essa foi a primeira vez que vi esse tipo de reação à minha obra. Isso me emocionou muito, pois tenho uma coisa muito forte com as inscrições em portas de banheiros”, analisa.

Uma das obras escolhidas para serem expostas nos banheiros foi “O Menino que Vendia Palavras”. O livro conta a história de um menino que “negociava” palavras com os amigos e queria mostrar para eles o poder delas. Os artistas Diego Mendonça e Nado fizeram suas intervenções sobre a obra no Bob’s e n’O Bistrô, respectivamente, trazendo à tona uma das mais conhecidas criações de Loyola.

Para Nado, a criação a partir dos livros é um “exercício de imaginação”, contribuindo para que a sociedade tenha mais acesso às obras e conhecimento sobre assuntos tão pouco falados.

 

Exposição Ser Humano vira destaque na mesa

Uma das coisas discutidas na mesa, foi a exposição Ser Humano, realizada especialmente para o Felit, de autoria da artista plástica, Patrícia Monteiro. A obra é uma intervenção, sob um novo olhar, dos corpos nus em banheiros. São fotos de nu artístico dentro de tampas de privada. Exposta no Centro Cultural Feminino, ela também dialoga com a poesia: escritas nas privadas estão poemas do escritor José Antônio.

Exposição Ser Humano, de Patrícia Monteiro, está em cartaz no Centro Cultural Feminino. FOTO/VAN: Beatriz Estima
Exposição Ser Humano, de Patrícia Monteiro, está em cartaz no Centro Cultural Feminino. FOTO/VAN: Beatriz Estima

Patrícia comenta durante a conversa as experiências de ter criado esse trabalho, as reações das pessoas com o tema inusitado, além de compartilhar a alegria de ter tido inspiração em uma das obras do Ignácio Loyola. “O Loyola é um presente, muito inspirador. É muito fácil fazer qualquer coisa lendo os livros dele”, afirma Patrícia.
Em relação ao tema, a artista fala que escolheu o banheiro para o espaço de criação por ser um local onde todos vão, desde famosos, médicos a pessoas comuns. Lugar que poucas pessoas valorizam de fato. “O banheiro é o local onde você se entrega, é a sua intimidade, mesmo quando você entra com alguém”.

No que diz respeito à literatura inscrita na obra, têm relação aos escritos nas portas dos banheiros. “Todo mundo quer ter voz, quer deixar seu recado”, explica Patrícia. O que a artista fez, foi deixar esses ‘recados de banheiro’ de forma literária, livre, e que conduz para uma reflexão das imagens que a acompanham.

O tema de forma geral, vai de frente com certos tabus da sociedade, como o corpo humano e de forma especial, o corpo feminino. Durante a mesa redonda, estavam presentes algumas mulheres que foram modelo para Patrícia.

FOTO/VAN: Andreza de Cácia
FOTO/VAN: Andreza de Cácia

De idades e experiências distintas, as duas abordaram os sentimentos que tiveram a partir da confecção das fotos. Adriellen de Ávila Martins, estuda filosofia na UFSJ, e conta que se sentiu muito à vontade durante as fotos. A sensação que teve foi de naturalidade, como se nada daquilo fosse inusitado. “Eu faço do meu corpo a minha arte”, diz. As fotos, para ela, foram uma forma de empoderamento feminino ligado à arte e cultura.

A outra modelo, uma senhora de 80 anos, comenta que a princípio ficou assustada com a proposta. A ideia de ficar com alguma parte exposta para as pessoas verem, o público, a imprensa, não era de total agrado. Mas, com o decorrer do processo de criação, ela foi se deixando levar pela arte e relata que sentiu uma experiência boa e diferente:
“Eu me senti livre.’Tô’ curtindo a vida”.

 

Marionetes que ensinam e se relacionam com a literatura

O Teatro Municipal de São João del-Rei esteve repleto de entusiasmo e curiosidade na tarde desta sexta-feira (25). Crianças de algumas escolas, convidadas pelo Felit, assistiram ao espetáculo In Tube, um show de marionetes apresentado pela Companhia de Inventos. Através de movimentos de coordenados e contação de histórias, o grupo prendeu a atenção e despertou o interesse nos alunos.

Apresentação da peça InTube para as crianças na tarde de ontem. FOTO/VAN: VAnessa Vicente
Apresentação da peça InTube para as crianças na tarde de ontem. FOTO/VAN: VAnessa Vicente

Com bonecos criados a partir de tubos de PVC e muita criatividade, a Companhia de Inventos proporcionou a criançada boas risadas, olhares atentos e também provocou a conscientização. O teatro de marionetes para Bernardo Rohrmann, integrante da companhia, se relaciona com a literatura através das palavras: “Tudo que a gente representa, às vezes só com os movimentos dos bonecos, a palavra está por trás disso”, afirmou o artista.

O público infantil assistiu e participou com entusiasmo da apresentação de marionetes, que abordou assuntos sobre o início da vida, de onde viemos e a importância da água. Rohrmann ressaltou que, mesmo com uma certa complexidade dos temas, o teatro se torna um facilitador na educação das crianças, pois a linguagem utilizada nas cenas permite uma maior compreensão no público infantil. A professora Mônica Silva concorda, para ela o festival melhorou a forma com que dialoga com os alunos, trazendo discussões mais amplas,  favorecendo na aprendizagem e na formação das crianças.

Apesar de parte do público presente estar cursando ainda o ensino fundamental, a professora Patrícia Teixeira acredita que o festival estimula a leitura, a contação de histórias e ajuda no vocabulário das crianças. Ela comenta a importância do contato desses alunos com a cultura, com o teatro e com novas oportunidades: “Quem sabe, dentre essas crianças, uma não vai despertar: “nossa! é isso que eu quero fazer um dia!”?!” , imagina a professora.

O festival busca estimular a criatividade e a imaginação das crianças, explica Lúcio Teixeira, assessor do evento. Para tanto, o  texto oral utilizado na apresentação de marionetes, para o assessor, é um grande desencadeador para fomentar o estímulo à leitura e o interesse pelo livro nos alunos.

Ao final, alunos e professores da escola Sesi/FIEMG, puderam compartilhar suas experiências na criação e no lançamento do livro “A Origem”. O trabalho, realizado em conjunto, contou com ilustrações e textos produzidos pelos alunos, sob orientação dos professores.

 

TEXTO/VAN: Andreza de Cácia, Beatriz Estima e Vanessa Vicente.

 

Confira as fotos da mesa redonda e da apresentação no Teatro Municipal:

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