cronica

Arco-íris é o novo preto

O texto que você está lendo agora não será concluído, pois não é conclusivo, e, sim, confuso. Hoje, na universidade, uma pequena parte de nós discute gênero, sexualidade e vários outros mil ganchos a tudo que nos faz. E isso de “sou eu quem sabe o que me faz eu” é tão recente que assusta, pois ontem mesmo era “isso (genitália?) é o que o faz o que é, por isso não tente ser o que não é”. O evento para discutir tudo isso e mais um pouco é marcado, mas nem todo mundo comparece de fato, mesmo confirmando presença pelo Facebook. Quem valida presença é quem já manja do assunto, já está bem informado ou quer se informar ainda mais. Quem não vai, abre o “armário” e começa a vestir o arco-íris como antes vestia o “pretinho básico”, achando que é o suficiente.

Sem generalizações, comparecer ao evento? e discutir o assunto têm sido para quem faz parte da problemática, para quem sente a necessidade de falar sobre e apresentar, talvez, algo novo. Só que ainda falta muita gente para encher os auditórios a ponto de essa discussão não caber mais lá dentro e cobrir o campus todo. “Eu respeito” é exatamente quando nós vestimos a camisa com uma estampa que não sabemos descrever. Nós assistimos a TV, compramos novas coisas e convivemos uns com os outros com o mais exemplar respeito, mas essa zona de conforto criada pela tia Mídia não tem sido suficiente.

A discussão, como dito antes, é recente e você já se cansou, mas não pense que não dá para perceber os olhinhos virando quando a bandeira dá as caras e você não vê o porquê de tanto problematizar. A expressão “vestir a camisa” cai por terra, uma vez que entender a estampa é algo que não cabe em nossas agendas. Mas também não vesti-la é comprar outras discussões que nós, além de não termos tempo, não queremos. Não são poucos os que pensam que “complicou tudo” e têm medo de admitir que pensem assim, pois serão julgados. Esses, por sua vez, não procuram “descomplicar” e se complicam.

Perguntar, muitas vezes, ofende, sim, mas é porque você pergunta tarde demais, quando aquilo que você já deveria saber começa a fazer parte do seu convívio. Não entenda como se tudo fosse proposital, para encurralá-lo e deixá-lo sem alternativas. Você poderia ter evitado isso não tendo deixado só para os novos comerciais de cerveja, de perfume, ou um encontro com a Fátima Bernardes a função de ensiná-lo a necessidade de discutir questões de gênero, sexualidade e afins.

E é por tudo isso que, se esse texto terminasse de fato aqui, a função dele seria aconselhá-lo a comparecer aos “eventos” e não deixar que o mercado obrigue você a engolir o que muda agora. Oxalá que ouçamos as histórias e as experiências, os estudos e o que ainda precisa ser documentado, para que a gente não apenas compre camisas com arco-íris, que a mídia diz ser o novo pretinho básico.

Texto: Sagner Alves/VAN

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