Arthur Moreira Lima toca no Largo do Tamandaré

“Vocês costumam sempre ficar na janela?”, perguntei. “Não, hoje a gente vai ficar para ouvir a música”, respondeu um dos dois vigias do Museu Regional de São João del-Rei, para onde o caminhão-palco do projeto “Um Piano pela Estrada” estava estacionado. O som que eles ouviam vinha do piano de Arthur Moreira Lima que se apresentou na noite de quinta-feira (25), no Largo do Tamandaré.
A caravana do pianista chegou à cidade – a décima terceira do circuito ‘Um Piano pela Estrada Real’ – com uma equipe de 13 pessoas, dois caminhões, uma van e um carro de passeio.  “É um país em construção. A gente tem que dar a nossa contribuição. Já toquei para as elites brasileiras, toquei muito até. Agora tenho que tocar para todo mundo. É a valorização do que é nosso”, declarou, ao final do concerto, a grande estrela da noite.
Arthur Moreira Lima é um dos mais importantes pianistas brasileiros, com carreira internacional, mas decidiu se empenhar no projeto que, desde 2003, já visitou diversos municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. “É dar a essas pessoas a oportunidade de ver um concerto que elas, normalmente, não poderiam assistir”, acrescentou o pianista.
O Largo estava lotado. As trezentas cadeiras não foram suficientes para abrigar o público, que ficou em pé ou sentou pelas calçadas. Teve quem, certo da lotação do evento, trouxe de casa banquinhos e cadeiras de praia. O repertório teve Beethoven, Chopin, Villa-Lobos, Pixinguinha, entre outros.
Para o Coordenador de Eventos da Secretaria Municipal de Cultura, Hamilton Vieira, levar a apresentação para rua traz um ótimo resultado. “As pessoas que não tem acesso ao teatro, às vezes tem até medo. Aqui está mais fácil, as cadeiras estão na praça”, ressaltou.

Mas nem tudo é vantagem na iniciativa. De uma casa na esquina, um aniversário de criança produzia um som alheio à apresentação. “Evento na rua tem dessas coisas. Carro de som tocando funk é o nosso pesadelo”, afirmou sorrindo o integrante da equipe do pianista Fabrício Kind. Moreira Lima também não nega:
– “Desconcentra um pouco, mas a gente acaba acostumando”.
Texto: VAN/Camilla Silva
Foto: Camilla Silva

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