Audiência Pública debate possível federalização de Hospital são-joanense

Hospital de Nossa Senhora das Mercês passaria a ser universitário e totalmente público. Ainda não há acordo e a decisão será tomada pela Arquiconfraria, que administra a instituição

Autoridades de várias entidades envolvidas na federalização participaram da Audiência Pública
Autoridades de várias entidades envolvidas na federalização participaram da Audiência Pública

Foi realizado na última segunda, 30, no Teatro Municipal de São João del-Rei, uma audiência pública que deu início aos debates sobre uma possível federalização do Hospital Nossa Senhora das Mercês. Organizada pela Câmara dos Vereadores, a assembleia contou com a presença de diversas autoridades. 

Com a proposta, o hospital, que é atualmente gerido pela Arquiconfraria de Nossa Senhora das Mercês, se tornaria uma instituição federal, com toda a capacidade de atendimento destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e com a gestão realizada pela Empresa Brasileira Serviços Hospitalares (EBSERH), especialista em  gestão de hospitais universitários federais,  que já administra, em Minas Gerais, o Hospital das Clínicas de Belo Horizonte (UFMG) e Uberaba (UFTM), além do Hospital Universitário de Juiz de Fora (UFJF).

A audiência serviu também para apresentar à população a situação do processo e o que pode ocorrer caso o hospital se torne federalizado. Segundo Antônio Carlos Fuzatto, presidente da Câmara Municipal, uma série de boatos se espalharam pela cidade, tais como uma possível privatização do hospital e a demissão dos funcionários do hospital. Vale lembrar que a decisão final sobre o processo de federalização é da Arquiconfraria, atual gestora do hospital.

A federalização ainda impactaria diretamente no curso de medicina da UFSJ. Segundo Gabriel dos Santos Pereira, presidente do Centro Acadêmico do curso, os alunos trabalham atualmente em postos de saúde e/ou unidades de atendimento de São João del-Rei e cidades vizinhas, o que garante experiência prática apenas à nível primário, ou seja, atendimento aos casos mais abrangentes e simples e utilização de equipamentos tecnológicos básicos.

Autoridades de várias entidades envolvidas na federalização participaram da Audiência Pública
O evento foi aberto ao público, que compareceu em peso ao Teatro Municipal

Com o hospital federalizado, os alunos teriam uma experiência prática mais aprofundada, com atendimentos de maior complexidade e utilização de ferramentas tecnológicas avançadas, explicou Gabriel. Além disso, o estudante acusou as administrações dos hospitais da cidade de nepotismo e espera que, com a federalização, as contratações sejam mais justas, já que os profissionais serão escolhidos através de concurso.

Sobre as declarações de que o Hospital estaria endividado, a reitora da UFSJ Valéria Kemp afirmou que se a instituição aceitar a proposta da federalização, caberá à EBSERH avaliar a viabilidade de assumí-lo. Valéria destacou ainda que a audiência pública foi o pontapé inicial para a realização do processo. “Estamos no início. O próximo passo são as pessoas ouvirem e conhecerem melhor a EBSERH. Ela também tem de fazer toda a análise e só depois disso teremos os elementos suficientes para que o hospital possa decidir os próximos passos”.

Questionado se a atual crise econômica vivida pelo país poderia dificultar o processo de federalização, o Deputado Federal Reginaldo Lopes (PT) afirmou que isso não será problema. “Não estamos propondo federalizar 6 mil hospitais federais e sim dar a UFSJ a opção de ter um hospital universitário federal. Isso é insignificante perante o orçamento do Ministério da Saúde, que é de 130 bilhões. Não dá para confundir a opinião da sociedade de uma conjuntura momentânea econômica como se isso fosse inviável”.

Grupo de manifestantes protestou contra a federalização momentos antes do início da Audiência
Grupo de manifestantes protestou contra a federalização momentos antes do início da Audiência

Sobre os protestos realizados por um grupo de manifestantes contrários à federalização momentos antes do início da audiência, Reginaldo acredita que eles não representam o interesse da população são-joanense. “Eu respeito as pessoas que são contrárias, mas esse protesto foi insignificante. Não representa os médicos, nem os trabalhadores. Acredito que tenha sido organizado por uma força política contrária ao sucesso da cidade. Respeito as manifestações, mantenho diálogo com todos os partidos políticos, mas, nesse caso, não dá nem para considerar que houve manifestação contrária”.

Arte: Laila Zin
Arte: Laila Zin

TEXTO/VAN: ANDRÉ LAMOUNIER

FOTOS: ANDRÉ LAMOUNIER

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