Banda são joanense mescla músicas populares com elementos eruditos

Fundada nos primórdios de 2003, a banda são joanense Galwem apresenta uma proposta diferenciada ao mesclar música celta (estilo originário da Irlanda, Escócia, País de Gales e França), Folk Rock, Rock Rural e Rock progressivo. Em suas apresentações, instrumentos eruditos como violinos e flautas são utilizados em adaptações de musicas populares e dividem a atenção com agradáveis performances de guitarra e contrabaixo, instrumentos mais íntimos ao público. 
Com um álbum lançado em 2005 – intitulado Ouça minha voz -, a banda está em estúdio para lançar seu novo álbum: Joaquim e o barril de Carvalho. O grupo já ganhou vários prêmios em terras mineiras, como 1º lugar no quesito releitura musical e banda revelação do Festival de Música de Nazareno – FestNaza; 1º lugar do Festival de Música da Universidade Federal de Minas Gerais; 1º lugar no festival de bandas de Rock do Inverno Cultural da Universidade Federal de São João del Rei por 3 anos consecutivos, além de ter sido convidada a se apresentar no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.
O repertório da trupe que se apresenta em diversas cidades mineiras e em outras do território brasileiro, varia de clássicos do rock como Led Zeppelin e AC/DC, além de releituras de afamadas bandas brasileiras como “Secos e Molhados” e algumas composições próprias. Com letras apaixonantes e alegres, a banda cria um ambiente mágico e provoca empolgação no público que assiste aos seus shows em festivais de música, casas de espetáculos e teatros.
A banda, que inicialmente se chamava Music Orionis, se firmou no cenário musical local por sua autenticidade e ousadia. Influenciados essencialmente pela banda espanhola de folk metal Mago de Oz e pelo rock rural de Sá e Guarabira, os integrantes da banda exibem-se caracterizados de exímios celtas durante os shows, sendo a presença do som da flauta a característica marcante do som elaborado por eles. 
Marcos Carvalho, flautista e um dos fundadores da Galwem, explica o processo de elaboração de uma das canções mais conhecidas da banda: Barril de Carvalho. “A composição se deu por meio da interlocução de fragmentos de temas irlandeses com temas próprios e arranjos de flauta imaginados por mim”, explica Marcos. Para Kaio Conte, fã da banda desde o início de sua trajetória, a Galwem se firmou no cenário musical da cidade de maneira persistente e esse é o principal diferencial da banda.
Atualmente a formação da Galwem conta com Gabriel Carvalho no vocal e violão, Marcos Carvalho na flauta, wistler e mandolim; Caio Campana no contrabaixo elétrico, Samuel Mangia na bateria e percussão e Thiago Daher na guitarra e violão.
Confira uma entrevista concedida pelo vocalista e um dos fundadores da Galwem, Gabriel Carvalho, que disserta sobre o processo de formação e sobre a inserção da banda no cenário musical brasileiro.
Ana Claudia: Muitas bandas de rock preferem não ser categorizadas – naquele hábito que temos de dar rótulos para explicar um som. Vocês, no entanto, compõem um som bastante característico do rock celta. Quais são suas influências e como se deu a escolha por este estilo?
Gabriel Carvalho: Na verdade foi um processo natural, por já estudarmos violino, flauta, violão erudito e instrumentos eruditos.  E as influências são o Rock clássico, suas fusões, a musica Celta, Flamenca, o Barroco Rococó das cidades Históricas Mineiras e música regional Brasileiro com ênfase na musica mineira.
A.C: O nome Galwem foi inicialmente dado por vocês em função dos nomes dos componentes da banda, porém no galês antigo o verbo Galw significa ‘Chamar’ e Galwem significaria ‘Chamamos’. A partir de suas melodias e letras tão originais, ao quê vocês estão “chamando”? Que ideologia funciona para a banda?
G.C: A diversão. A busca pelos sonhos. Chamamos a atenção para uma realidade menos cinza e negra, com mais camadas de cor, aventuras, sorrisos e paixão.  Afinal de contas como diz Augusto Cury “A vida sem sonhos é uma manhã sem orvalho, um céu sem estrelas, um oceano sem ondas, uma vida sem aventura, uma existência sem sentido”. 
A.C: O que, na sua opinião, seria uma iniciativa importante, do poder  público ou de setores ligados à cultura, para que bandas independentes como vocês tenham mais espaço no cenário musical?
G.C: Primeiro é importante investir em educação, para que as pessoas tenham senso crítico e, consequentemente, exijam musicas e artistas de qualidade, e não o que a gente anda vendo por aí. Logo, mesmo com incentivos dados é necessário que as grandes centrais de divulgação ajudem no processo. Abrindo espaço para músicos que estão começando e, até mesmo aqueles que já têm estrada, para que chegue a todos o trabalho realizado por aquele artista.
VAN/ Ana Claudia Lima
Foto: Ana Claudia Lima

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