Carrancas realiza II Seminário de Patrimônio Cultural

Evento foi realizado dentro da 5ª Jornada Mineira do Patrimônio Cultural

Cerca de 130 pessoas estiveram presentes no Seminário
Cerca de 130 pessoas estiveram presentes no Seminário

Foi realizado, na manhã do último sábado, o II Seminário de Patrimônio Cultural de Carrancas, que teve o objetivo de transmitir o conhecimento para a preservação do patrimônio histórico e cultural e assim “despertar o sentimento de pertencimento à cidade” como afirmou a Secretária de Turismo e Cultura de Carrancas, Iara França Teixeira.

No decorrer do seminário, foram realizadas apresentações de alunos das escolas municipais e estaduais do município, além de palestras que foram ministradas por membros do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA, da Fundação João Pinheiro, instituição encarregada da elaboração do Plano Diretor Participativo da cidade e de técnicos da empresa Sustentare Assessoria.

Na abertura do seminário, os alunos das escolas Municipal Maria da Graça Souza e Estadual Sara Kubitschek se apresentaram com paródias de músicas reconhecidas nacionalmente, falando sobre os pontos turísticos e sobre a riqueza ambiental e histórica da cidade. Em seguida, foi aberta a Feira de Cultura, que foi desenvolvida pelos alunos como parte do projeto Educar – Patrimônio Cultural, criado pelo IEPHA com o intuito de levar aos alunos o conhecimento, por meio da educação patrimonial.Feira de Cultura dos Alunos das escolas

Durante o evento, foram discutidos assuntos relacionados à Carrancas e ao seu patrimônio cultural. Para o Historiador do IEPHA, Carlos Henrique Rangel, a educação patrimonial, que é o seu assunto de maior interesse, é o principal meio de transmitir  conhecimento de gerações:

“O patrimônio está na nossa vida, no nosso dia a dia. Ela (educação patrimonial) tem que fazer com que as pessoas percebam o lugar onde vivem”. Rangel dá conceitos básicos de cultura e explica como o homem se adapta a cada uma delas de acordo com a sua necessidade.

Também durante as palestras, os pesquisadores da Fundação João Pinheiro apresentaram suas visões, como a pesquisadora de ciência e tecnologia, Maria do Carmo Alvarenga de Andrade Gomes, que fez um esboço sobre a história de Carrancas, realizado pelo levantamento da equipe que está elaborando o Plano Diretor da cidade: “Tentei perceber algumas coisa que estão evidentes na paisagem e nas pessoas, e trazer uma reflexão” diz.

A terceira e última palestra oferecida pelo Seminário teve como tema o Sítio Arqueológico da Zilda, que apresenta escrituras rupestres presentes em uma rocha próxima à cachoeira dos Índios, no Complexo da Zilda. As escrituras mencionadas têm características que lembram a Tradição de São Francisco, que tem forte incidência no norte de Minas Gerais.

Para o Historiador e Mestre em Arqueologia da UFRJ, Pedro Luiz Diniz Von Seehausen, “a preservação da mata no entorno da Lapa da Zilda é fundamental para a preservação das inscrições”. Seehausen ainda disse que as pinturas são datadas de cerca de 5000 anos atras. No decorrer de sua apresentação, o guia local e professor da EESK, Reginaldo Antônio Ribeiro, o surpreendeu com uma ferramenta encontrada por ele em 1993. “Para mim era uma pedra normal, mas depois que me falaram que é uma pedra de raio, como eles (arqueólogos) falam. A ferramenta não é minha, é do município, e está guardada para quando tiver uma casa da cultura estar exposta para todo mundo ver”, disse o professor.

Estiveram reunidas, no Salão de eventos Vereador Edgard de Souza Andrade, cerca de 130 pessoas, segundo a Secretária de Turismo e Cultura. Com presença forte dos professores da rede municipal e estadual, o seminário esclareceu dúvidas da população sobre a preservação e conscientização sobre o tema.

Para a auxiliar de enfermagem, Neuza Alves Ribeiro Nogueira Sousa, o tempo gasto com o Plano Diretor na palestra foi pouco, porém a auxiliar acredita que a população deve participar mais e pedir mais atenção por parte das autoridades”. Apesar de ser um tema que vem chamando a atenção dos administradores do município, ainda é pouco conhecido pelos moradores da cidade. Considero importante a preservação patrimonial, pois é através dela que poderemos transmitir a todas as pessoas a realidade cultural do nosso município” conta.

Ouça abaixo a entrevista do professor Reginaldo Antônio Ribeiro, que nos contou como conseguiu a ferramenta que apresentou na palestra do historiador André Seehausen, e, que falou também sobre o valor da educação patrimonial em Carrancas. 

 

TEXTO/VAN: ANDREZA DE CÁCIA

FOTOS: ANDREZA DE CÁCIA

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