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Missa foi presidida pelo Pároco Padre Geraldo Magela - Foto: Amanda Rodrigues

Celebrado há mais de 300 anos, Ofício de Trevas atrai fieis em SJDR

Solenemente cantada em latim, celebração relembra morte, paixão e ressurreição de Cristo

Celebração foi presidida pelo Pároco Padre Geraldo Magela - FOTO: Amanda Rodrigues
Celebração foi presidida pelo Pároco Padre Geraldo Magela – FOTO: Amanda Rodrigues

Uma tradição secular da Igreja Católica, o Ofício de Trevas, deu continuidade às celebrações da Semana Santa na noite desta quarta-feira (23), em São João del-Rei.  Entoada em latim e presidida pelo pároco da Catedral Basílica Nossa Senhora do Pilar, Padre Geraldo Magela da Silva, o ato também foi acompanhado pela Orquestra Ribeiro Bastos, que executou responsórios e laudes compostas pelo falecido Padre José Maria Xavier, alternando com o Coro Gregoriano que entoou os salmos e lamentações.

O Bispo Diocesano, Dom  Célio de Oliveira Goulart, explica que a celebração faz referências à morte e ressurreição de Jesus Cristo. “Depois de cada salmo se apaga uma vela; depois se apagam também as lâmpadas da igreja. Isso quer dizer que ela está se preparando para a morte de Jesus. Quando fica tudo escuro e acontece aquele bater de pés no chão da igreja, quer dizer que Jesus morreu e, de repente, surge aquela vela que ficou acessa, representando Cristo vivo, ressuscitado. Assim a igreja se ilumina novamente.”

Dom Célio também relatou o significado da celebração para a cidade, já que é uma das únicas no país que a mantém: “Primeiramente, ela vem para preservar a tradição da Igreja, que no passado era sempre cantada em latim e com o passar do tempo se manteve, assim como as músicas que vêm de compositores daqui. São formas de nos prepararmos para a celebração do Mistério da Paixão e da morte de Jesus Cristo. E é muito importante para nós preservarmos essa tradição.”

Candelabro possui quinze velas, que vão se apagando ao final de cada salmo, permanecendo apenas uma acesa no final. - FOTO: Amanda Rodrigues
Candelabro possui quinze velas, que vão se apagando ao final de cada salmo, permanecendo apenas uma acesa no final. – FOTO: Amanda Rodrigues

A intercambista belga de 18 anos, Femke Elizabeth Joosten, que está em São João Del-Rei pela primeira vez, disse que apesar de não ser muito religiosa, está acompanhando toda a programação da Semana Santa e gostou muito da celebração desta quarta-feira: “Eu já fui em outras missas mas essa é bem diferente, porque a gente não tem isso na Europa. E eu gosto muito. Meu pai é brasileiro e canta na orquestra, queria muito conhecer pois é outra cultura, e mesmo não sendo tão religiosa quanto ele, gostei muito.”

Já Marcos Vitor, paulista de 21 anos, disse que esta também é a primeira semana santa que passa na cidade e está encantado: “As celebrações de São João Del-Rei são muito famosas e eu sempre quis ver como era. É maravilhoso, eu estou acompanhando desde a procissão dos Passos. Eu sou católico e esta celebração aumenta a minha fé; está maravilhosa e é até meio difícil de explicar, porque está me tocando muito. Até o latim, algo tão incomum de se ouvir, está lindo.”

Orquestra Ribeiro Bastos participa da celebração, apresentando composições do padre José Maria Xavier - FOTO: Amanda Rodrigues
Orquestra Ribeiro Bastos participa da celebração, apresentando composições do padre José Maria Xavier – FOTO: Amanda Rodrigues

O que é Ofício de Trevas

A celebração do Ofício de Trevas ocorre na noite de quarta-feira, marcando o início do Tríduo Pascal. Ela mostra de uma forma clara os sofrimentos de Jesus Cristo antes de sua morte. Acompanha a celebração um candelabro com quinze velas, que, ao final de cada salmo, vão se apagando até o momento em que resta apenas uma acesa. Esta vela representa Jesus Cristo como luz do mundo, que nunca se apaga. Quando a vela é escondida, todas as luzes da igreja são apagadas. É o momento das trevas, na qual os fiéis batem com o pé no assoalho, fazendo um estrondo. Em seguida, as luzes são novamente acesas, anunciando que Cristo ressuscitou e as trevas não mais tomam conta do recinto.


Após o Bispo Dom Célio, rezar o Pai Nosso, as luzes da igreja se apagaram e os fiéis bateram os pés no assoalho, simbolizando o momento das trevas. – VÍDEO: Amanda Rodrigues
TEXTO/VAN: Sofia Pacheco e Amanda Rodrigues
FOTOS: Amanda Rodrigues

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