FOTO: Neill McShea

Como é a dinâmica das exposições agropecuárias na região?

O enfoque é sempre dados aos shows, mas o evento é de grande importância para produtores locais

FOTO: Neill McShea
FOTO: Neill McShea

O final do primeiro semestre é marcado por diversas exposições agropecuárias em praticamente todo o Campo das Vertentes. A divulgação das atrações já começou em algumas cidades, como São João del-Rei, Resende Costa, Lagoa Dourada, Nazareno e Carrancas. Com grandes nomes da música sertaneja, espera-se um público amplo.

Entretanto, esses eventos, embora conhecidos por seus shows, têm grande importância para produtores locais. O Campo das Vertentes possui uma cultura enraizada de criação de bovinos, e é em exposições como essas que o produtor tem oportunidade de expor o seu trabalho.

Em 2006, o número de estabelecimentos com criação de bovinos como atividade principal era de 8.145, de acordo com o Censo Agropecuário realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses estabelecimentos ocupavam 336,6 mil hectares dos 353,4 mil destinados à atividade pecuária. Em Minas Gerais, o Campo das Vertentes possuía 3,49% dos estabelecimentos com criação de bovinos, o que significava 1,96% da área total do estado.

ARTE/VAN: Laila Zin
ARTE/VAN: Laila Zin

Del-Rei Expo 2016

A Exposição Agropecuária de São João del-Rei acontece entre os dias 11 e 15 de agosto, no Parque de Exposições. A programação completa ainda não foi divulgada, mas o presidente do Sindicato de Produtores Rurais de São João del-Rei e Região, Marcelo Luís Oliveira, conta que o público pode esperar por torneio leiteiro, concurso morfológico, concurso de marcha e palestras para expandir o conhecimento dos produtores.

Oliveira afirma que esse tipo de evento é sempre interessante para os produtores locais. “As vantagens são várias: interação entre os produtores, percepção sobre melhoramento de raça, aprendizado sobre morfologia, genética, troca de negócios. Além de ser uma oportunidade de expor seu trabalho para a comunidade”, explica.

Entretanto, o presidente da Associação salienta a diminuição do público que visita os animais durante a Exposição. Uma das razões para isso foi a proibição dos rodeios pela Lei nº 4.217, de 30 de junho de 2008. Essa legislação dispõe sobre a proibição de utilização, manutenção e apresentação de animais em circos ou espetáculos assemelhados no Município de São João del-Rei. “Com a lei municipal que proibiu os rodeios, o pessoal só vem para os shows”, lamenta.

Houve boatos sobre o possível cancelamento da Del-Rei Expo 2016. De acordo com Oliveira, o que aconteceu foi um conflito de datas. “Sempre fazemos o evento no terceiro final de semana de agosto. Mas houve uma confusão na contratação dos shows porque não contataram o sindicato. Inicialmente, ficou para o segundo fim de semana, mas é Dia dos Pais, e produtor não gosta de expor nesse dia. No fim, conseguimos resolver”, conclui.

A programação, que será divulgada na página do evento no Facebook, é aberta a todos que quiserem participar.

 

Oportunidade de aprendizado

Para a estudante de zootecnia da Universidade Federal de São João del-Rei  (UFSJ) Ângela Gonçalves, eventos como esse chamam atenção pelo entretenimento, mas, para interessados na área, também são um espaço de aprendizado e de ver na prática a teoria que alunos estudam nas aulas. “É uma oportunidade que temos de trocar conhecimento com os produtores”, explica.

Além disso, os interessados também podem participar das palestras oferecidas durante a Exposição. É uma ocasião para aprendizado e diversão.

 

Impacto na economia da cidade

Apesar da grande importância para os produtores da região, o gestor administrativo da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei), Carlos Hélcio Silveira, não considera que esse tipo de evento cause impacto significativo no comércio da cidade. “Qualquer evento que traga público que se hospede é muito bem-vindo, mas esse público não é a maioria na Exposição”, explica. “O grande montante fica nas mãos das produtoras de shows. O dinheiro vem para São João, mas não fica por aqui”.
TEXTO/VAN: Rebeca Oliveira e Rosana Fa

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