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Crônica: A linha tênue entre a vida real e a arte

A Primeira Semana de Popularização de Teatro de São João del-Rei, ocorrida neste mês de maio, foi um evento, pelo menos para mim, memorável. O que era pra ser apenas um exercício fotográfico – já que eu era um dos responsáveis pela cobertura do evento – acabou se tornando também um exercício de autorreflexão.

De repente eu havia me dado conta que eu era apenas mais um fotógrafo entre vários outros e que, de alguma maneira, faríamos o mesmo trabalho, tiraríamos as mesmas fotos. Diante dessa realidade, eu propus a mim mesmo tentar, de alguma forma, representar a essência das peças teatrais na fotografia, e não apenas fotografá-las.

Para isso, eu tinha que tornar-me parte de tudo aquilo. Ser a peça. Ser cada um dos personagens. O surpreendente, porém, é que eu percebi que não seria necessário muito esforço para isso: toda a complexidade, toda a dubiedade, todos os problemas, desejos e anseios humanos estavam naquelas três peças teatrais que testemunhei.

Percebi que Mary, de “O país do desejo do coração”, era eu. Eram meus desejos que só podem ser alcançados pela utopia, pelas fadas. Era a minha angústia de viver numa sociedade de imposições morais e religiosas, e o meu desejo de subvertê-las.

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Percebi que eu era tão puta quanto Neusa Suely, de “Navalha na carne”. Porque puta também é gente. Puta sofre, puta vai à luta e, acima de tudo, puta ama. Percebi que eu era tão maldito quanto Vado e tão intenso e picareta quanto Veludo. E se me senti traído ao final desta peça, foi porque me senti mal de ter, em algum momento, rido de seus personagens e de seus problemas. Eles eram tão reais quanto eu e meus dilemas.

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Percebi que eu era as tias de “A casa das tias”, com toda sua libido reprimida e sua religiosidade fajuta pra fazer bonito perante a sociedade. Mas que também eu era o sobrinho, com toda sua personalidade dúbia e sua vontade em se dar bem na vida.

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Percebi que somos todos Mary. Somos todos Neusa Suely, Vado e Veludo. Somos todos “as tias” e “sobrinhos”.

Somos humanos. Somos Teatro. Somos Arte.

Texto: Jederson Lucas

Fotos: Jederson Lucas

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