De quadrinho em quadrinho

Glauco Soares é um cartunista autônomo de Barbacena. Ingressou para o mundo dos quadrinhos em 2010, sendo que, em 2012, assumiu uma linguagem própria para a sua produção. Jovem, Glauco procura divulgar seus trabalhos em seu blog “Debique di Boutique” e nas redes sociais. 

O cartunista conta que o seu primeiro interesse em relação a quadrinhos surgiu ainda na infância, lendo gibis de Maurício de Souza. No entanto, não os percebia ainda como gênero.  Isso só aconteceu quando conheceu os trabalhos do Laerte, Angeli e Glauco, que foram suas referências. 

Hoje, como cartunista, Glauco acredita que o campo está sendo limitado. “Eu acho que o espaço para um trabalho autoral, com personagens complexos, personagens com biografia, diminuiu muito. O que prevalece agora é um trabalho autobiográfico. O cartunista se tornou objeto de seu trabalho. Eu não gosto disso.”

Glauco opina sobre os cartunistas da atualidade. “Eu sou um produto mal acabado dos anos 80. Minha referência ainda é aquela turma que surgiu nessa década. Eu não gosto dos cartunistas atuais. Não há mais personagens, não há mais um cuidado com o desenho. E não quero dizer que as pessoas devam fazer um desenho elaborado, com traços refinados, mas um desenho cuja identidade do cartunista esteja patente.” E declara sobre o humor: “o humor se tornou vítima da ditadura do ‘politicamente correto’”.

O artista explica que o processo de criação das suas tiras se mostra moroso e árduo, por dois motivos: o medo da criação e a preguiça. “Anoto ideias que ficam esquecidas durante um bom tempo. Retomo, refaço, descarto. A verdade é que tenho mais ideias anotadas que desenhos feitos.”, admite. Suas criações surgem da inspiração das ruas, quando realiza as suas caminhadas e observa as mais diversas histórias e pessoas.

Para Glauco, a internet tem sido uma ferramenta de extrema funcionalidade. O cartunista conta que, através das redes sociais, pôde apresentar parte da sua produção para grandes cartunistas como Laerte, Adão, Mike Deodato, que gostaram do que lhes foi apresentado. 

Para ele, jornais e revistas já têm espaço fixo de talentos, o que dificulta o espaço para os novatos. A internet também promoveu eventos curiosos e reconhecimento para o artista. “Uma vez, uma de minhas tiras foi compartilhada por mais de 4 mil pessoas. Mas o que me chamou mais a atenção foi um comentário supostamente negativo em relação ao desenho. Imediatamente entrei em contato com o autor da crítica. Meses depois, ele me respondeu, e disse que não se referia à tira. Ele me parabenizou pelo trabalho. Eis aí um defeito gravíssimo meu: sou muito sensível a críticas negativas”.  Mesmo com os obstáculos e dificuldades, Glauco deseja continuar nesse caminho “ até que alguém descubra minha genialidade “, brinca.

VAN/ Bruna de Faria
Foto: Arquivo pessoal

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