“Está Consumado”

A data reforça tradições e fé, sendo momento de reflexão para fiéis

 

A Sexta-Feira Santa (30), levou centenas de fiéis para às ruas de São João del-Rei. O Sermão do Descendimento da Cruz iniciou-se por voltas das 20h30, nas escadarias da Igreja de Nossa Senhora das Mercês. Foi celebrado pelo Bispo Dom Gil Antônio Moreira, Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora e contou com a presença do Bispo Emérito Dom Waldemar Chaves de Araújo. Em seguida, a Procissão do Enterro do Senhor caminhou pelas ruas do Centro Histórico, finalizando-se na Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar.

O dia da paixão e morte de Jesus é lembrado em celebrações nas igrejas católicas. O Sermão do Descendimento da Cruz é, para os fiéis, uma oportunidade de refletir sobre o sofrimento e sacrifício de Cristo e o que ele representa na atualidade para os cristãos.

A Procissão do Senhor Morto ou, como também é chamado, Enterro do Senhor, é uma tradição que se perdeu em muitas cidades mineiras, mas permanece viva em São João del-Rei. Ela volta a propor o pequeno cortejo de amigos e discípulos que, depois ter deposto da Cruz o corpo de Jesus, o levam ao lugar em que estava o sepulcro talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.

A Procissão finalizou-se em frente a Matriz Nossa Senhora do Pilar com o Canto de Verônica, ritual tradicionalmente realizado durante a Semana Santa.

As celebrações desta Semana Santa e Páscoa são as primeiras após o falecimento de Dom Célio Goulart de Oliveira, aos 73 anos, em janeiro de 2018. Ele era Bispo da Diocese desde 2010. Durante as celebrações houve menções ao bispo e ao tema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Fraternidade e superação da violência”, tendo como lema “Em Cristo somos todos irmãos”.

Maria da Conceição, conhecida como Irmã Rosário, de 88 anos, é espanhola e mudou-se para o Brasil nos anos 60. A Irmã reside em São João del-Rei desde 2012 fazendo obras de caridade e conta sobre a tamanha importância das celebrações para a vida das pessoas.  “Atualmente faço obras de caridade no Hospital Nossa Senhora da Mercês, e essa celebração é um presente na vida dos pacientes. Eles assistem da janela e se sentem mais esperançosos e gratos pela vida.” relata cheia de comoção.

O aposentado Benedito Lucas do Nascimento, são-joanense e católico, ressalta que as celebrações não mudaram muito desde a época de sua juventude, mas acredita que as pessoas estão mais empenhadas: “Não mudou muita coisa desde os meus 18 anos, quando comecei a frequentar aqui. Porém, a população movimenta mais, o povo tem mais fé.” compara.

Já Tarcísio Ferreira, comerciante, também nascido na cidade e adepto ao espiritismo, ressalta o aspecto espetaculoso das tradições: “Pelo lado cultural e turístico acho que a celebração, as tradições antigas, deva continuar. É um ritual e a cidade está cheia, mas vejo mais como espetáculo mesmo.” salienta.

 

 

A empresária de Cataguases – MG, Ana Rita Brito, escolheu passar a Semana Santa em São João del-Rei movida pelo sentimento de nostalgia da época de colégio, quando veio em uma excursão da escola para cidade. Além disso, ressalta a simpatia dos são- joanenses e de como se sente mais pertinho de Deus nas solenidades. “Eu acho que a gente tem que voltar à fé, e isso é uma coisa que te traz a fé, que te faz lembrar dela. Acho que a encenação é bonita, a cidade é cativante e o povo sempre disposto a ajudar, por isso acabamos vindo.” afirma.

O Sábado Santo e o Domingo da Ressurreição serão marcados por missas e momentos de reflexão nas igrejas da cidade. A programação completa da Semana Santa pode ser encontrada no site: https://goo.gl/2ruQ3Z.

 

Texto/VAN: Yasmim Nascimento
Colaboração: Isadora Jales, Rafael Nascimento
Fotos/VAN: Isadora Jales, Rafael Nascimento, Yasmim Nascimento
Vídeo/VAN: Isadora Jales

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