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Festival de Capoeira homenageia antiga arte escrava

Reunião de cultura, história, ritmos e poesia nas rodas de capoeira

 

A 15º edição do Festival de Capoeira – FICAG – começou nesta quinta (07), com programações que irão até sábado (09). O evento traz a participação de instrutores do campo das vertentes e também do Rio de Janeiro e São Paulo. Boa parte da programação acontecerá nas ruas, então o público terá a chance de apreciar as rodas de capoeira e até mesmo participar. Os cursos serão ministrados na APAE e o Festival de Capoeira acontecerá no Teatro Municipal, ambos no sábado.

 

Este projeto surgiu para atender as crianças, jovens e adultos carentes sem condições de pagar pela aula, então Arizio Haroldo de Souza Júnior, eletricista e organizador do evento, desenvolveu um trabalho social com a comunidade. Crianças a partir dos 6 anos podem se inscrever e ter acesso ao uniforme gratuitamente. A única exigência é que todos tenham disciplina tanto nas rodas de capoeira, quanto na escola. “Exigimos que eles tenham uma boa disciplina na escola e em casa, tem que estar frequente na escola e estar bem. O nosso objetivo é formar cidadãos de bem”.

 

A organização estima que 300 pessoas compareçam ao evento, incluindo alunos, mestres e instrutores. O instrutor Marcos Paulo, conhecido na capoeira como Canarinho, participa do grupo Arte das Gerais e joga capoeira há 20 anos. Ele afirma que a capoeira foi essencial para a sua formação como cidadão, passou a ter mais respeito pelos companheiros e disciplina. A sua participação será em uma roda de capoeira com alguns alunos graduados. “Faremos o maculelê, que é uma dança típicas da capoeira com bastões e às vezes com facões, mas só os graduados utilizam com os facões”.

 

O festival traz consigo uma forma de valorizar os ensinamentos da capoeira e a cultura em que ela está inserida. Não só os alunos, mas também os que não praticam sabem que a capoeira nasceu no Brasil como uma forma de defesa que os escravos tinham contra os capitães do mato. Se antes era vista com maus olhos, hoje é um bem cultural pelo IPHAN. Lais Paiva da Silva, estudante de engenharia elétrica e praticante de capoeira, destacou como é participar de algo tão rico como a capoeira. “Eu aprendi a estar envolvida com outras pessoas é uma aula de cidadania. Além da questão histórica de ser uma arte envolvida na escravidão no Brasil, uma arte que ajudou”.

 

Ainda que esteja na 15º edição, o organizador Arizio Haroldo destacou a falta de patrocínio do poder público, seja na organização do evento ou na compra de uniformes para os alunos. “O patrocínio e o apoio ainda são restritos, mas não perdemos a esperança continuamos caminhando e ganhando força. A capoeira nasceu na senzala, o negro lutou pela sua liberdade e estamos, hoje lutando para ter o nosso reconhecimento, não vamos parar até atingir toda a comunidade”, afirma.

 

TEXTO/VAN: Júlia Ribeiro e Leonardo Emerson

FOTO/VAN: Júlia Ribeiro e Leonardo Emerson

 

 

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