Foto 1- Dona Thereza ministra palestra sobre a Doce D'ocê e sua Coxinha de Camarão com Catupiry

Festival de gastronomia em Tiradentes comemora duas décadas

Eventos com participação popular destacam-se no primeiro dia do maior festival de gastronomia do Brasil.

Começou na sexta-feira, (18), o Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, considerado o maior de gastronomia do Brasil. Na edição em que comemora 20 anos, o festival promete, até o dia 27, encantar milhares de pessoas com a culinária mineira, uma das mais ricas do país. O mega evento faz parte do calendário do Projeto Fartura – Comidas do Brasil, que promove o convênio entre todos os setores relacionados à gastronomia nacional. Em uma edição tão especial, não poderia faltar uma programação recheada de eventos interativos, de degustação e aprendizagem, para agradar todos os públicos e, principalmente, os amantes da cozinha.

 

Como parte do menu de aulas e palestras ministradas por chefs mineiros, tivemos a presença da Dona Thereza, proprietária da loja de doces e salgados Doce D’ocê, em Belo Horizonte. Ela foi pioneira na preparação de coxinhas com o uso do requeijão catupiry e marcada pela preparação manual de seus produtos, com o uso de ingredientes naturais. Em sua palestra, ela contou a história da loja, aberta em 1973, e sua trajetória até a criação da coxinha e popularização do produto.

 

A loja fechou suas portas em meados de 1998 e será reaberta em breve. Thereza comenta como é treinar a nova equipe e suas expectativas. “Estou muito animada, porque eles estão levando a coisa a sério. Eu acho que eles estão fazendo a coisa certa e vou ficar por detrás, eu não vou deixar a peteca cair. Isso vai ser do jeito que deve ser. Então, tenho certeza do sucesso.” No fim, os espectadores puderam degustar a sua criação, a coxinha de camarão com catupiry, preparada pouco antes da apresentação. Sálvia Moreira, também de Belo Horizonte, já conhecia a Doce D’ocê e ficou muito feliz com a notícia da reabertura da loja. Eu senti muito quando a loja fechou, fiquei muito triste.” Sálvia contou que frequentava a loja desde a década de 70.

 

Foto 2- Chef Michel Abras apresenta as Pancs - Plantas alimentícias não convencionais .jpg

 Chef Michel Abras apresenta as Pancs – Plantas alimentícias não convencionais

No Espaço Degustação, situado na Praça Senac do Conhecimento, uma das atrações que surpreendeu o público foram as curiosas “Pancs”, do chef Michel Abras. As chamadas plantas alimentícias não convencionais foram apresentadas com muito carisma pelo professor, acompanhadas de duas receitas e claro, a degustação. Em entrevista, Michel conta sua trajetória e como chegou às Pancs. “Dar aula é o que eu amo fazer, então hoje sou professor da área de gastronomia do Senac […] Eu sempre tive o prazer de procurar saber o que eu estava comendo. Hoje em dia, não consigo fazer um prato de comida se não tiver um ‘matinho’ desses, diferente.”

 

Abras também comentou sobre a gourmetização da comida interiorana. Para o veterano, existem dois lados desse processo. “Acho que essa gourmetização é, de certa forma, boa e ruim. Acaba sendo um oportunismo, financeiro ou de outra espécie, e ao mesmo tempo valoriza uma coisa que sempre existiu, o produtor e seu produto.” Para Michel, os chefs precisam ter humildade para reconhecer os ingredientes e quem os produziu.

 

De Ponte Nova, Leonardo participa do evento à quatro anos, e diz que sempre supera suas expectativas. Presente na aula do chef Michel Abras, reconhece a importância do uso de novos temperos e ervas: “Eu achei bem interessante, eu conheci alguns sabores novos e relembrei sabores que são comuns na minha região, igual a capiçoba, que é uma hortaliça que quase ninguém conhecia. Mas é que lá em casa é até muito comum, a gente costuma consumir com certa frequência por ser interior.”

Já no Espaço Interativo, onde as pessoas podem, literalmente, colocar a mão na massa, a receita da tradicional Bala de Mel trouxe muita nostalgia com a chef Iara Rodriguez. A estudante de ‘quitandas’, comidas interioranas que vieram das escravas, tem relação sentimental com a receita. “Eu aprendi essa bala com uma senhora de Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho, Minas Gerais, que é onde meu pai nasceu. É a dona Judite que tem 65 anos e nunca fez outra coisa na vida que não seja mexer esse tacho de bala. Ela foi minha professora, tenho muito orgulho de dizer isso.” ressaltou Iara.

 

A história e tradição da Bala de Mel é a cara do festival, por isso a jovem teve o prazer de conduzir a turma na confecção da gostosura. “Foram super empenhados. Todo mundo esforçado. Uns queriam já comer de colher, outros queriam levar, foram ótimos.” Entre os alunos, Ana Maria Diniz Reis, acompanhada de sua filha e neto, disse ter amado a experiência. “Venho muito à Tiradentes, mas neste evento, é a primeira vez. Participar foi muito bom, espetacular.” Curiosamente, dona Ana Maria já conhecia a receita e disse que a filha cresceu comendo a bala nos aniversários. Já o neto, não gosta muito de doces. “Em compensação, meu marido e minha filha mais velha vão detonar essas balinhas, até amanhã cedo, se eu não segurar.”

 

O Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes continuará suas atividades no fim de semana seguinte (dias 26 e 27 de Agosto), que finalizará o evento na charmosa cidade mineira, cuja programação completa é encontra no site oficial da marca que resultou do festival: Fartura – Comidas do Brasil: http://farturabrasil.folha.uol.com.br/blog-festivais/fartura-tiradentes/. O próximo festival do ciclo acontecerá em Belo Horizonte, previsto para os dias 30 de Setembro a 1 de Outubro, em local que ainda será definido.

 

Texto/VAN: Clara Mattoso e Sagner Alves

Fotos/VAN: Sagner Alves

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