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Fim da greve na UFLA não tem previsão

Greve, que se estende na Universidade há mais de dois meses, gera discordância entre professores e alunos

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A Universidade Federal de Lavras (UFLA) completou no último dia 10, dois meses de greve dos docentes. O movimento, de conjuntura nacional, centralizado pelo Sindicato Nacional de Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES),  teve início logo após o fim do primeiro semestre no calendário acadêmico da Universidade e, de acordo com o movimento grevista, não tem fim previsto.

Embora a maioria das instituições esteja em greve há mais tempo e já tenham protocolado cartas no Ministério da Educação (MEC) em Brasília, o governo ainda não deu uma resposta satisfatória que contemplasse as pautas e dissolvesse o movimento.

Entre as pautas nacionais estão: Garantia de autonomia da Universidade, reestruturação de carreira, melhores condições de trabalho, não adesão à terceirização, entre outras. Na UFLA, o Comando Local de Greve protocolou diversas cartas junto à reitoria a fim de explicitar e tentar abrir um diálogo sobre suas pautas locais internas como: Fim da burocratização excessiva, melhoras na infraestrutura do campus, centralização da gestão, entre outras.

“A última carta, protocolada dia 31/08, também não teve resposta clara , eles só responderam dizendo que precisaríamos definir nossas prioridades” afirmou Marcelo de Carvalho Alves, professor da UFLA e presidente do CLG.

O aluno Paulo Felleti defendeu a greve como uma chance de crescimento pessoal político: “Como alunos, podemos aprender com o movimento, entender que a Universidade vai além de formar mão de obra pro mercado, mas tem a função de formar cidadãos conscientes e politizados, que sabem pelo que estão lutando”.

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Reunião do CLG com o Reitor da UFLA

Entretanto, há uma parcela dos professores que não se sente contemplada pela greve: “O desenvolvimento de atividades de pesquisa é prejudicado, aumenta-se a instabilidade política de um governo já muito instável, a economia das cidades universitárias sofre muito, pais de alunos vindos de outros Estados têm que pagar aluguel sem que seus filhos estejam realmente morando na cidade” defende Ricardo Augusto de A. Teixeira, Professor de Direito e Processo Penal da UFLA. 

Ricardo ainda defende que uma greve durante um período de crise não surte efeito: “Diante desse cenário, atender demandas por melhor remuneração e estrutura nas universidades coloca-se fora de cogitação”.

O aluno Otávio Fidelis Mota , segue a mesma linha: “Isto ocorre não por falta de conhecimento das reivindicações dos professores, que considero justas e necessárias para uma educação pública de qualidade, mas sim por reconhecer que a greve está enfraquecida, com várias universidades voltando às suas atividades normais, que professores e alunos estão divididos, e que as perspectivas de sucesso do movimento grevista são pequenas” explica Mota em relação ao grande numero de discentes contrários à greve.  

Catarina Dallapicula , membro da comissão de Ética do CLG afirma que, devido ao novo pacote de cortes do governo, a tendência é intensificar o movimento grevista: “Haverá uma aula pública no próximo dia 22 às 14h no salão de convenções da UFLA, para podermos informar melhor as pessoas que estejam interessadas, queremos abrir o diálogo, explicar as pautas e a conjuntura”, informa.

Paralelamente à greve dos docentes, a greve dos Técnicos Administrativos na UFLA ,que pedem por reajuste salarial, o aprimoramento da carreira, fim da terceirização dos TAES, entre outros, teve inicio em 28 de Maio e também acentua a situação crítica da universidade.

Um dos coordenadores do comando local de greve do Sindicato  dos Técnicos Administrativos em Educação da Universidade Federal de Lavras (Sindufla), Denilson Ronan de Carvalho, conta que até o momento o governo federal não atendeu nenhuma das pauta nacionais “mas, teremos uma reunião com o reitor para negociarmos ao menos as pautas locais”, afirma. Em nota lançada pelo site, a Sindufla afirma que o movimento grevista dos técnicos administrativos, assim como o movimento dos docentes, continua  por tempo indeterminado.

TEXTO/VAN: TALITA TONSO

FOTOS: VIDEO INSTITUCIONAL UFLA/ FQA.UFLA.BR / WWW.ADUFLA.ORG.BR

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