Francisco: o papa que silenciou 3 milhões de fieis

Na manhã deste domingo, 28, o Papa Francisco celebrou a Missa de Envio da Jornada Mundial da Juventude. Com um público estimado em mais de 3 milhões de pessoas, o Brasil viu o maior aglomerado de pessoas de sua história se calar num silêncio sepulcral. 

Chefes de Estado como a presidente da Argentina, Cristina Kirchner e o presidente da Bolívia, Evo Morales, além da presidente Dilma Rousseff, assistiram a celebração na primeira fila. Centenas de bispos e cardeais também participaram desse momento histórico.

Antes de dar início à celebração, os peregrinos, juntamente com os clérigos ali presentes, dançaram aquele que pode ser o maior flash mob do mundo. Com uma coreografia ensaiada ao longo de alguns dias, por vídeos divulgados nas redes sociais, a apresentação durou cerca de 3 minutos e encantou a todos. 

Durante a homilia, Francisco frisou várias vezes a importância de não se ter medo de ir e servir a Deus, evangelizar. Segundo ele, isso deve ser feito por amor, e não por obrigação, assim como fez Jesus Cristo. O Papa dirigiu-se aos jovens dizendo: “Queridos jovens, sintam a companhia de toda a Igreja e também a comunhão dos Santos nesta missão”. Francisco finalizou, dizendo que conta com os jovens, “que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, lhes acompanhem sempre com a sua ternura: Ide e fazei discípulos entre todas as nações. Amém.”

No discurso feito no final da Missa de Envio, Francisco pediu que os jovens ali presentes fizessem discípulos em todas as nações e levassem as lições da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), para quem não pôde estar ali. Como bom apreciador e na terra do futebol, o pontífice ainda disse que “Jesus nos pede que o sigamos por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que ‘joguemos no seu time’. Jesus nos oferece algo muito maior do que a Copa do Mundo!” 

 “A eucaristia conseguiu chegar a todos os fieis. O papa transmitiu sinceridade e pensamentos naturais”, considerou o argentino Victor Cortéz, que participou da missa. 

No final da celebração, o pontífice anunciou que a próxima JMJ será em Cracóvia, na Polônia, em 2016. Um momento de muita comemoração, principalmente por parte dos poloneses ali presentes, eufóricos com a notícia e gratos ao Beato João Paulo II por essa conquista. 

Para a peregrina Francisca, de Mar del Plata, Argentina, a missa foi impressionante, “Muita gente junta com o mesmo objetivo, estar com Cristo. A Jornada Mundial da Juventude não se finalizou com a Missa do Envio e, sim, deu inicio à outra”. 

De acordo com o padre João Batista de oliveira, da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Lousiana, Goiás, “a missa foi muito linda e emocionante”. Para ele a mensagem principal da celebração foi ajudar os jovens a “remar contra a maré”. Essa maré a que se referiu Francisco seria a cultura ocidental do consumo, do ‘ter’ em detrimento do ‘ser’. Ainda segundo ele “os jovens devem ter coragem para seguir os conselhos do Papa”. 

Ao se despedir de mais de 15 mil voluntários no Riocentro, o Papa pediu aos jovens que sejam revolucionários, contra a cultura do provisório, sendo capazes de assumir responsabilidades e amar a verdade. É preciso confiar nos jovens e rezar por eles. “Tenham a coragem de ‘ir contra a corrente’. Tenham a coragem de serem felizes”, concluiu. 

No último pronunciamento em solo brasileiro, Francisco disse um “até breve” e que, naquele momento, “já começava a sentir saudades” do Brasil. “Parto com a alma cheia de recordações felizes. Neste momento, já começo a sentir saudades. Saudades do Brasil, este povo tão grande e de grande coração; este povo tão amoroso. Saudades do sorriso aberto e sincero que vi em tantas pessoas, saudades do entusiasmo dos voluntários”, declarou. Para o pontífice, os jovens, os grandes participantes dessa Jornada, foram discípulos que partem, agora, como missionários. 

VAN / Bruno Marques
Fotos: Bruno Marques

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