Helvécio Ratton: de espectador a cineasta

 

Nascido em 1949, na cidade de Divinópolis (MG), Helvécio Ratton é um dos importantes nomes do cinema brasileiro.  Sua estreia foi com o filme “A Dança dos Bonecos”, produzido em 1986, no qual atuou como diretor e roteirista. O longa foi premiado em Brasília, em Gramado e também em festivais internacionais na Alemanha, Itália e Portugal.

O cineasta também dirigiu, em 1995, o filme “Menino maluquinho”, seu segundo longa, inspirado no personagem do desenhista e cartunista mineiro, Ziraldo. Em 2002, Helvécio produziu “Uma onda no ar”, filme vencedor de dez prêmios nos EUA, Europa e Brasil. Já em 2006, a obra “Batismo de sangue” recebeu dois troféus Candango, de melhor diretor e de melhor fotografia, no Festival de Brasília.
 
A paixão por filmes vem desde a infância, por volta dos sete anos. Helvécio morava com a família em Peçanha, no norte de Minas, e conta que sua maior diversão era o cinema. “Em Peçanha tinha uma salinha de cinema, e nós ficávamos vendo os cartazes do filme que vinha para a sessão de domingo pela manhã, que a gente mais curtia. Desde pequeno eu tinha uma fascinação muito grande por todo o clima do cinema”, afirma.

A atração por obras cinematográficas continuou e, aos 16 anos, fazer cinema era o desejo de Helvécio Ratton. “Comecei a ver filmes brasileiros nessa época e percebi que os nossos filmes não eram como os norte-americanos, que pareciam tão distantes de nós, porque, obviamente, tinham que ser diferentes. Ainda assim, o cinema no Brasil era muito possível. E isso marcou muito a minha vontade de fazer filmes”, declara.

Segundo o diretor, a produção de um filme envolve milhões de detalhes, desde a construção da ideia, as imagens, o som e, por isso, seria difícil destacar um ou outro aspecto. Ele ressalta que “o filme é como se fosse uma constelação de detalhes e eu sou muito rigoroso, exatamente, com os detalhes. É uma construção muito grande, planejada desde o roteiro e que vai sendo executada ao longo do tempo de produção: em geral, de três a quatro anos”.

Uma característica forte da obra de Helvécio Ratton é a sua ligação com a cultura brasileira e de Minas Gerais. “O último filme que eu fiz, o documentário ‘O Mineiro e o Queijo’, é quase uma declaração de amor a Minas Gerais, ao povo da gente, à terra da gente. Eu tenho uma ligação forte com a nossa cultura. Talvez isso seja o que mais chame atenção em minha obra”, opina o cineasta.
 
Helvécio acredita ainda que o cinema brasileiro é muito carente de obras para o público infanto-juvenil. “Quase não se faz filmes para o público infantil e familiar, e é justamente assim que a gente cria público, forma espectadores e fazemos com que eles se interessem pelo cinema brasileiro desde pequenos”, diz.

 “O Segredo dos Diamantes” é o quarto filme do diretor voltado para o público infantil. “A ideia é lançá-lo no final deste ano, em época de férias”, revela Helvécio Ratton. Antes dirigiu os filmes “A Dança dos Bonecos” (1986), “Menino maluquinho” (1998) e “Pequenas Histórias” (2007).

O cineasta acredita que “o cinema brasileiro está vivendo um momento muito bom em termos de produção e apresenta cada vez mais um alto nível técnico”. Ainda assim, ele aponta que o principal desafio é alcançar o público. “Grande parte dos filmes nacionais que são lançados são ignorados, porque a competição com os estrangeiros é muito desigual. Os filmes norte-americanos chegam ao Brasil com um marketing e uma capacidade de divulgação enorme, e isso faz com que os filmes brasileiros desapareçam”, afirma.

Helvécio ainda destaca que noticiar na televisão sai caro e parte dos filmes nacionais não tem essa oportunidade. “Hoje ainda temos a internet para podermos chegar ao público, mas, ainda assim, é pouco, porque a gente tem que fazer um esforço muito grande de comunicação”, opina.

Confira os filmes de Helvécio Ratton no link:
http://www.filmeb.com.br/quemequem/html/QEQ_profissional.php?get_cd_profissional=PE195

VAN / Marina Ratton
Foto: Estevam Avellar

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