Má administração da APAE gera ação judicial

Funcionários da
instituição estão há três meses sem salário e trabalham integralmente

Na manhã desta terça-feira, 22, professores, servidores e demais funcionários da APAE, junto aos membros do sindicato dos trabalhadores, se mobilizaram em frente à sede da instituição a fim de protestar contra a atual gestão administrativa. A mobilização foi motivada pela falta de pagamento dos funcionários, que estão há 3 meses sem salário  e trabalhando integralmente. Dentre as reivindicações, está a ausência de prestação de contas da atual gestão, além de denúncias sobre desvios de verbas e assédio moral aos trabalhadores da instituição. Enquanto a manifestação acontecia em frente à sede da APAE, outro grupo participava de uma audiência no ministério do trabalho.

Segundo o Coordenador do Sindicato dos Trabalhadores (SENALBA) Sérgio Oliveira, a mobilização teve início às 6 horas da manhã, com a participação de membros do sindicato, funcionários e professores da APAE de São João del-Rei. “Estamos mobilizados aqui contra a gestão do atual Presidente da APAE, Sr. Gabriel, que não tem compromisso com os trabalhadores, não faz prestação de contas e que, por consequência da falta de pagamento, alguns trabalhadores já receberam até ação de despejo, por não pagar o aluguel”, conclui o coordenador.

Josiane Geovana é nutricionista da APAE e afirma que o atendimento às crianças está sendo feito integralmente e que todos os funcionários estão vindo trabalhar, por amor às crianças e à instituição. “As crianças são nossa vida, razão do nosso trabalho, é por causa delas que todos os profissionais estão vindo e prestando serviço em carga horária integral.” 

Josiane também aponta que a APAE está perdendo apoio e verbas devido à falta de prestação de contas e à má administração, sendo que, na próxima eleição, a comunidade deve avaliar muito bem antes de votar. “Quem elege o conselho administrativo são os pais e a comunidade. Funcionários e professores não têm direito ao voto. Dia 23 de novembro, haverá uma nova eleição e a comunidade tem que se inteirar sobre o assunto antes de votar”, afirma.

A Justiça do Trabalho deferiu hoje pela manhã o bloqueio das verbas públicas recebidas por convênio com a prefeitura municipal, Caixa Econômica e SUS destinadas à APAE. Tal medida foi determinada para resguardar os trabalhadores, para que sejam ressarcidos com juros e correções pelo tempo que estão sem receber pelo seu trabalho, segundo contou a advogada da SENALBA, Stefânia Vitor. Ela afirmou ainda que não houve presença de nenhum membro da administração da APAE, de forma que não apresentaram defesa. “Não compareceram à audiência e, se for comprovado que foram citados e não se apresentaram, eles não terão direito à defesa”, conclui a advogada. 

Na próxima terça-feira, 29, haverá uma segunda audiência, em que será deferido um parecer final sobre o caso, e espera-se que a administração se manifeste, pois a mesma foi procurada e declarou não ter nada a dizer sobre o assunto.

VAN/ Sávio Souza
Foto: Sávio Souza

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