Milhares de são-joanenses se unem para protestar em movimento nacional

Na tarde da última terça-feira, dia 18, a população de São João del-Rei ocupou as ruas da cidade, apresentando reivindicações, como a regularização do contrato com a Viação Presidente. As passeatas contra o aumento do preço das passagens na cidade começaram antes da ebulição de manifestações em  São Paulo, mas só ganhou força quando as principais capitais do Brasil foram ocupadas por milhares de pessoas em protesto.  

Segundo o capitão Tavares, da Polícia Militar em São João del-Rei, cerca de cinco mil manifestantes se encontraram à frente da Câmara Municipal e caminharam até a rodoviária. Dentre os presentes encontravam-se estudantes, crianças, adolescentes, donas-de-casa, idosos, entre outros grupos.

A manifestação começou no fim da tarde, às 17 horas, mas a concentração foi realizada duas horas antes, já em frente à Câmara Municipal, onde houve confecção de cartazes e faixas que exibiam frases como “Fora Presidente!” e “Reage Helvécio!”.  

Às 16 horas, no início da reunião ordinária semanal da Câmara, o movimento teve voz durante a tribuna livre da sessão. Questionado sobre tal, o advogado Bernardo Ladeira afirma: “O presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) retratou e questionou a injustiça do contrato da prefeitura com a Presidente.  Falou sobre a legitimidade do legislativo, que é o que cria o sistema. A reinvindicação é para uma reunião agora em junho, diferente da data escolhida, ou seja, dia 8 de agosto”.

Rodrigo Ribeiro, presidente da UMES, foi quem usou do tempo cedido para explicar os motivos da manifestação. Segundo ele, o movimento reinvindica principalmente a revogação do contrato que foi declarado irregular pela justiça, uma vez que o prefeito tem a liberdade de revogar esse tipo de contrato sem ter que pagar multa, principalmente se o contrato não for legítimo. Rodrigo também afirma que há uma reunião marcada para 8 de agosto, mas que o problema deve ser resolvido ainda este mês, “pois a população já se mostra insatisfeita desde janeiro, quando ocorreu a primeira manifestação com relação ao transporte público”.

A manifestante Inara Rodrigues, que faz parte do movimento estudantil de São João del-Rei, afirma ainda que o manifesto não é somente sobre a passagem e que são sentimentos acumulados. “O transporte é só uma parte do problema, muitos problemas ainda devem ser apontados. Espero que o governo enxergue os direitos da população e que a população não tema os manifestantes e as manifestações, mas sim lutem pelos seus direitos.”, finaliza a estudante.

A manifestação teve seu final em frente à rodoviária e contou com a segurança da Polícia Militar, a presença de milhares de manifestantes e o apoio de pessoas como o aposentado José Vanderlei, que afirmou: “Esse tipo de ação deve ser feita, a passagem está cara e os outros problemas do Brasil estão uma vergonha”.

Sobre a segurança dos manifestantes, capitão Tavares afirma que o protesto ocorreu sem nenhum transtorno ou irregularidade e que foi pacífico. As condições de segurança foram combinadas com integrantes da UMES e, posteriormente, com representantes de outros movimentos. Por fim, o capitão diz que “toda e qualquer maneira de manifestação, desde que siga as leis e seja pacífica, é válida”.

VAN / Clara Varginha; Ana Martins
Foto: Clara Varginha

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