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Museu da Loucura foi reaberto em maio. FOTO: Débora Marcier

Museu da Loucura é reaberto para o público

Com instalações mais modernas e uma nova exposição, Museu da Loucura é reaberto após intensa reforma.

Museu da Loucura foi reaberto em maio. FOTO: Débora Marcier
Museu da Loucura foi reaberto em maio. FOTO: Débora Marcier

Em maio, no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, aconteceu o evento de reabertura do Museu da Loucura. A reforma, responsabilidade do artista gráfico Edson Brandão, foi viabilizada por meio de uma parceria da Comissão de Restauração e Assessoria da Superintendência de Museus e Artes Visuais (SUMAV) e da Secretaria de Estado de Cultura.

Desde que foi inaugurado, em agosto de 1996, esta é a segunda reforma pela qual o Museu passa. As obras foram executadas em duas etapas. A primeira  foi entregue em dezembro de 2014, quando o prédio foi restaurado, pois estava com problemas nas instalações físicas. A segunda consiste na revitalização da exposição permanente e do acervo, que eram os mesmos desde que foi aberto em 1996, ou seja, estava defasada visualmente e não incluía as informações recentes.

A nova exposição permanente mostra além, da história do hospital, informações sobre a reforma psiquiátrica, a trajetória da luta antimanicomial e os serviços substitutivos em Barbacena, ampliando o conceito histórico e acrescentando recursos tecnológicos.

A moradora de Barbacena Lídia Cristina revela que está animada com a reabertura do Museu. “Espero que as pessoas que forem ao Museu multipliquem esses registros para que aqueles que sofreram nesse período da nossa história não sejam esquecidos”, avalia. Para ela, a instituição é um patrimônio importantíssimo para a cidade e para todas as pessoas envolvidas com a saúde mental e a saúde de forma ampla, principalmente porque propõe a reflexão. “O Museu faz com que as pessoas repensem a forma de tratamento dos pacientes”, conta a moradora.

 

O Museu da Loucura

ARTE/VAN: Laila ZIn
ARTE/VAN: Laila ZIn

Completando 20 anos de Fundação em 2016, o Museu da Loucura foi criado em 16 de agosto de 1996, por meio de uma parceria entre a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e a Fundação Municipal de Cultura de Barbacena (FUNDAC).

Parte do projeto “Memória Viva”, o Museu da Loucura serve de elo entre a instituição e a sociedade. Tem a expectativa de proporcionar a quebra do estigma contra o portador de sofrimento mental. Como um espaço para discussão e reflexão acerca das atuais diretrizes no campo da saúde mental, o Museu desperta o questionamento sobre as fronteiras entre a loucura e a razão.

A instituição tem cinco salas, nas quais se distribui o acervo do museu, composto por textos, fotografias, documentos, equipamentos, objetos e instrumentação cirúrgica. O espaço conta também com uma galeria, aberta para exposições de artistas da região e  para divulgação da grife “Pirô Crio”, composta por trabalhos manuais e de artesanato feitos pelos usuários do hospital.

 

O Hospital Colônia de Barbacena

FOTO: Débora Marcier
FOTO: Débora Marcier

O primeiro hospital psiquiátrico de Minas Gerais, o lendário Hospital Colônia de Barbacena, foi fundado em 1903, com capacidade para 200 leitos. Em 1930, a instituição começou a ser ampliada e atingiu o status de maior hospício do país durante o Estado Novo.

Eram enviadas ao Hospital as pessoas excluídas socialmente, como adversários políticos, prostitutas, homossexuais, mendigos e pessoas sem documentos. Estima-se que 70% dos pacientes não tinham diagnóstico de doença mental. Entretanto, por não serem considerados parte da sociedade, eram internados à força.

Autora do livro O Holocausto Brasileiro, a jornalista Daniela Arbex conta que pelo menos 60 mil pessoas morreram no Hospital. “Nos períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam a cada dia, vítimas de inanição e do eletrochoque. Ao morrer, seus corpos eram vendidos às faculdades de medicina. Até o início dos anos 1980, quando ocorreu o fechamento do Hospital, cerca de 1.800 corpos foram vendidos para 17 faculdades de medicina. Quando havia excesso de cadáveres, os corpos eram decompostos em ácido, no pátio do Hospital, diante dos pacientes”, relata Daniela em seu livro (ARBEX, Daniela. O Holocausto Brasileiro. Barbacena. Geração Editorial:  2013, p. 67).

 

TEXTO/VAN: Marcela Amorim

COLABORAÇÃO: Rachel Santos

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