Nagib: Uma herança viva

Nascido no dia 1º de Agosto de 1929, em Novo Cruzeiro, pequena cidade do Nordeste de Minas Gerais, Nagib Barbosa Lauar guarda memórias de uma vida de entrega e paixão pela literatura. As adversidades que a vida lhe impôs nunca foram empecilhos para aquisição de conhecimento e, aos 83 anos, sua lucidez é refletida em escritos que reúnem experiência no interesse pela expressão através das palavras.
Em 1937, aos sete anos de idade, o falecimento de sua mãe deixou Nagib e mais seis irmãos órfãos. Filho de libaneses, mudou-se, juntamente com seu pai, para a cidade de Carlos Chagas. Mas foi em Ladainha – MG que completou seu curso primário. O “ginásio”, no entanto, foi cursado na cidade de São João del-Rei, no colégio Santo Antônio, onde, hoje, se estabelece uma das unidades da Universidade Federal da cidade, o campus Santo Antônio.
Foi nessa época que despontou o seu interesse por poesia e literatura. A cidade, detentora de vasta herança patrimonial, era modelo de propagação do movimento barroco. “Eu admirava poetas como Carlos Drummond de Andrade, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Raimundo Correia e muitos outros”, declara. 
 
Até o curso ginasial, sempre foi sustentado pelo pai, um negociante de posses. Mas foi nessa época que se deu o seu fracasso financeiro, obrigando Nagib a começar a trabalhar para seu sustento e de seus estudos. 
     
Trabalhou em várias empresas, mas em nenhum de seus empregos conseguiu exercer sua paixão pela poesia e literatura. Em 1958, casou-se com Maria dos Anjos, mais conhecida como Lilita por amigos e familiares, que com quem teve quatro filhos. 
Atualmente morando em Belo Horizonte, Nagib conta que já leu toda a coleção de Machado de Assis. Além do autor carioca, Jorge Amado compõe a lista de coleções quase completas. O leitor também cita autores como Joaquim Manoel de Macedo, José de Alencar e Dan Brown. Grande admirador do ex-presidente Getúlio Vargas, exalta sua biografia, última obra lida, de Lira Neto. 
Viúvo e avô de seis netos, Nagib aproveita a ociosidade para explorar os livros que lê, sequioso, e compartilha alguns de seus versos, produzidos após a morte de sua esposa, em abril de 2012:
Saudade

Só.
Para além da janela,
nem uma nuvem, nem uma folha amarela
manchando o dia de ouro pó…
Mas aqui dentro, querendo bruma,
quanta folha caindo, uma por uma
dentro da vida de quem vive só.

Só. Palavra fingida, palavra inútil.
Pois quem sente saudade,
nunca está sozinho.
E a gente tem saudade de tudo nesta vida.
De tudo! Da Lita; 
De uma espera por uma tarde azul de primavera;
De um silêncio; 
Da música de um pé
cantando pela escada; 
De um véu erguido;
De uma boca abandonada;
De um divã;
De um adeus;
De uma lágrima até.
No entanto, neste momento
tudo isso passa na asa de um vento
Como um simples rolo de fumaça
E é só depois de velho, 
numa tarde esquecida
que a gente se surpreende a resmungar:
“Foi tudo o que eu fiz de toda a minha vida”
E começo a chorar…

Nagib Barbosa Lauar




VAN/ Bruno Marques, Isabela Fonseca, Maria Clara Lauar 
Foto: Arquivo pessoal

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