O Carnaval e a tradição em Lagoa Dourada

Grupos lagoenses se unem para manter viva a tradição dos desfiles e marchinhas de Carnaval

Não é com Funk, Pop e nem mesmo no ritmo do Axé que um grupo de carnavalescos se divertem em Lagoa Dourada. O arranjo relembra os carnavais de baile das décadas de 1970 e 1980, com as marchinhas do “Abre Alas, “Aurora” e até a “Cabeleira do Zezé”.

Tudo começou em 1971, quando o jovem Roberto, carinhosamente chamado de Betinho, ia, cada vez mais, se apaixonando pelo Carnaval. “A folia, não era como a que temos hoje. Era uma espera de um ano inteiro, quase um ritual de Natal”, afirma. Essa paixão fez com que se interessasse em aprender música. Trombone mais especificamente, apesar de garantir que arranha em todos os instrumentos.

Carnavalesco ativo mais antigo da cidade, Roberto Luiz Resende, está com 60 anos e conta como foi sua trajetória. “Eu tocava em carnavais de clube, que não era uma coisa muito forte na cidade. Por isso ia para outras regiões. Cheguei a me apresentar em várias cidades mineiras, paulistas e cariocas. E o que se via, até o ano de 1995, eram apenas as marchinhas e pessoas dançando ao som delas. Éramos todos iguais quando chegava o Carnaval”, relembra.

Com característica tradicional, Betinho complementa que, sempre que estava na cidade, ia para as ruas com seu grupo de músicos tocar, cantar e arrastar uma multidão de foliões. “Não era organizado, era um encontro entre amigos, onde participava quem pudesse e quisesse”, acrescenta.

Esse ano, porém, o encontro ficou mais sério, quando os filhos, Bruno e Breno, homenagearam o pai com o Bloco General da banda. “Eu me senti extremamente lisonjeado, agora nossa música tem um destaque e uma responsabilidade a mais”, se alegra Betinho.

Para Bruno Resende, a criação do General da Banda – que inicialmente não foi pensado para ser um bloco – partiu do ponto de que existiam muitos músicos bons na cidade que tocavam por conta própria, sem uma organização. “Todo ano puxávamos alguns blocos e nem ‘muito obrigado’ recebíamos em troca, por isso achava uma pena não sermos valorizados”, desabafou.

Essa questão, fez com que, o primogênito de Betinho resolvesse fazer uniformes apenas para os músicos da banda. “A ideia de homenagear meu pai, surgiu porque ele andava triste desde o falecimento do meu avô, então, num primeiro momento, seria uma surpresa para ele”, acrescenta.

A ideia do bloco, segundo Bruno, surgiu depois de mostrar as camisas para algumas pessoas da cidade, que chegaram a propor a criação do bloco. “Resolvi então investir na ideia e fizemos 200 abadás que esgotaram em 15 dias de venda. Para o próximo ano, mantemos essa ideia e pretendo até ampliar criando oficinas de instrumento musical para as crianças”, finaliza.

 

Desfile

Ainda mantendo as tradições carnavalescas, o bloco União Dourada dos Morros, surgiu como uma brincadeira que mantinha as lembranças dos desfiles na cidade. Segundo uma das organizadoras, Paulinha Oliveira, já existiram dois blocos que desfilavam na cidade, a União Dourada e o Unidos do Morro, ambos que chegaram ao fim.

Ainda segundo a organizadora, durante alguns anos, Lagoa Dourada ficou sem nenhum desfile, então quem gostava, tanto de dançar, como de assistir, cobrava e lamentava por não ter mais o evento. “Ano passado, o Deputado Glaycon Franco deu uma bateria para o bairro das cavalhadas. Então, eu, meu pai e a Gorete, nossa amiga, resolvemos fazer uma brincadeira no bairro que deu certo e virou o bloco”, enfatiza.

Sobre manter a tradição, Paulinha ainda acrescenta sua importância: “os mais novos vão aprendendo o que é Carnaval de verdade e, por outro lado, os mais velhos tem orgulho em ver a continuidade do que eles fizeram um dia”. Hoje, o bloco possui aproximadamente 200 pessoas envolvidas, na organização e na folia.

 

Programação

A programação de Carnaval, que começa na próxima sexta (24), terá show com a Bateria Furiosa Tudo Azul, às 22h, seguida pelo bloco Selva às 23h. No sábado, 25, às 18h é a saída do bloco Mamãe Troquei de Sexo, logo após terá a apresentação da banda CIRCUS e saída do bloco Treco Bacana, às 22h.

Ainda no final de semana, dia 26, no domingo, às 14h será a estréia do bloco Puputas. À noite, às 21h, será o desfile do bloco União Dourada dos Morros e às 21h30, o General da Banda. Quem encerra o terceiro dia de folia é a banda CIRCUS, ÀS 22h.

Chegando na reta final, na segunda-feira, 27, às 22h será a apresentação da banda CHESS, seguido pela saída do bloco cruzeirense, Sangue Azul. Na terça-feira, último dia, às 16h, será a reapresentação do bloco Treco Bacana e, às 18h, da Selva. Às 20h será a apresentação da banda CHESS, seguido pela saída dos blocos General da Banda e União Dourada dos Morros, às 21h e 22h, respectivamente.

A folia acontecerá na Praça Irmã Gabriela e, com exceção de terça-feira, todos os dias terá sonorização com DJ.

 

TEXTO/VAN: Ana Carolina Gomes

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