O “flip” do skate nas ruas históricas de São João del-Rei

Comemorado mundialmente no dia 21 de junho, o Dia do Skate – conhecido por ”Go Skate Boarding Day” – foi criado em 2004 pela IASC – International Association of Skateboard -. Mais de 10 países, inclusive o Brasil, já aderiram às comemorações.

O skate surgiu na década de 60 na Califórnia, num período em que a prática do surf reinava na região. A partir daí os surfistas locais juntaram as rodas dos patins com os “shapes” (um pouco menores que os das pranchas convencionais) para que também pudessem surfar nos asfaltos da cidade.

Por mais simples que fossem, os skates fizeram a cabeça dos jovens da época e logo passaram a ser comercializados. Após um pequeno hiato do esporte – que ocorreu com o fechamento de algumas pistas – o skate foi levado para as ruas onde qualquer objeto do cotidiano era usado como obstáculo, surgindo o “Street Skate”.

Nas décadas seguintes, o skate chegou às piscinas esvaziadas devido ao racionamento de água nos EUA e, em seguida, surgiram as pistas em “U”, marcando o auge do esporte e o aparecimento de alguns nomes do skateboard mundial: Steve Caballero, Tony Alva e Tom Sims. 

No Brasil, o skate foi introduzido por surfistas norte-americanos também na década de 60. Nessa época, o nome skate foi abrasileirado e passou a ser a ser escrito ao pé de letra, “esqueite”. Após alguns campeonatos na década de 70, a popularidade do skate também sofreu um pequeno declínio no país, voltando com mais força na década seguinte.

Nos anos noventa novas modalidades e manobras surgiram. Em 1997 o skatista brasileiro Robert Dean da Silva, conhecido como Bob Burquist, foi eleito o melhor skatista do mundo e três anos depois foi criada a Confederação Brasileira de Skate (CBSk), dando mais visibilidade ao esporte e auxiliando na construção de diversas pistas por todo o país. 

Hoje o Brasil conta com mais de 300 competidores e aproximadamente 10 mil categorias de base, tendo grandes nomes do esporte, como a skatista Karen Jones, Sandro Dias (Mineirinho) e Rodil Araújo (Ferrugem).

Em São João del-Rei é cada vez maior o número de pessoas que aderem o skate como um esporte, hobby ou até mesmo profissão. No entanto, os skatistas são-joanenses têm enfrentado alguns problemas pois, segundo eles, a prefeitura de São João del-Rei não dá o suporte e apoio necessário para que o esporte possa crescer na cidade. Isso causa uma insatisfação por parte dos atletas que sempre reivindicam seus direitos, mas não obtêm resultados esperados.

Conheça alguns dos skatistas de São João de-Rei:


Atleta: Jeniffer Vivas Corrêa.
Idade: 14 anos.
Tempo de skate: Dois anos.
Manobra favorita: Boneless Flip.
Atleta favorita: Letícia Bufoni.
Como comemora a data: Andando de skate o dia inteiro.
Melhor lugar para andar: Rua.

VAN: Qual o apoio da prefeitura para com os skatistas?

Jeniffer Vivas Corrêa: Não temos apoio nem boas pistas para andar.

VAN: Já sofreu algum preconceito por ser skatista? 

Jeniffer: Hoje em dia diminuiu muito, mas no início sofria bastante. Minha mãe ainda tem bastante problema com isso.

Atleta: Luiz Felipe Pereira.
Apelido: Pitoco.
Idade: 19 anos.
Tempo de skate: Sete anos.
Manobra favorita: Nose Pick.
Atleta favorito: Vanderley Arame.
Como comemora a data: Andando de skate.
Patrocínio: RUM Skateboard e Gringa Surf Skate.
Melhor lugar para andar: Rua Bahia, em Barbacena, MG.

VAN: Os skatistas sao-joaneses estão satisfeitos com o apoio da prefeitura? 

Luiz Felipe Pereira: Nem um pouco, tudo o que melhorou para os skatistas foi feito por nós mesmos.

Atleta: Mateus Henrique da Costa Guimarães.
Idade: 18 anos.
Tempo de skate: 3 anos.
Manobra favorita: 360 flip.
Como comemora a data: Andando de skate.
Atleta Favorito: Neen Williams.
Melhor lugar pra andar: Biquinha.

Van: Qual sua opinião sobre as atitudes do prefeito de São João del-Rei sobre o skate?

Mateus Henrique da Costa Guimarães: Não acho nada sobre ele. Ele não faz nada pra gente.

VAN / Amanda Magalhães; Ana Beatriz Peres
Foto: Tadeu Canavez

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