Aluízio José Viegas

O músico que sabia o que era preservar

Aluízio José Viegas foi um dos mais antigos pesquisadores que remontaram a tradição musical dos séculos XVIII e XIX

Aluízio José Viegas

A cidade onde o badalar dos sinos é tão presente na vida cotidiana, não poderia deixar de ter entre os seus cidadãos um grande pesquisador, intelectual e amante da música: Aluízio José Viegas. O músico, musicólogo e pesquisador nasceu em 26 de março de 1941 e começou seus trabalhos em 1959 ao salvar da destruição um grande número de fontes musicais do arquivo de Jophet Maria da Conceição.

Sua relação com a música se tornou ainda mais profunda no ano seguinte, quando ingressou na Orquestra Lira Sanjoanense para tocar violoncelo. Posteriormente, dedicou-se na prática da flauta e contrabaixo. Ainda na Orquestra, organizou trabalhos primorosos: Deu início a montagem de obras de autores como Manoel Dias de Oliveira e Padre João de Deus de Castro, resgatou peças de diferentes autores mineiros, cariocas e portugueses e ainda contribuiu com inúmeras pesquisas sobre a música na região das vertentes.

Na década de 70, Aluízio José Viegas percebeu que todo esse trabalho merecia ser conhecido e apreciado por todos. Por isso, começou a realizar palestras sobre a música mineira e diferentes aspectos da história de São João Del Rei. Trabalhando na UFSJ, continuou com suas pesquisas e restauração. Em Mariana participou do projeto “Acervo da Música Brasileira- Restauração e Difusão de Partituras” (2001-2003).

Aluízio José Viegas 2

Além da Orquestra Lira Sanjoanense, dirigiu a Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João Del Rei e atuou como pesquisador da Cúria Diocesana da cidade e do Musel de Arte Sacra.

Aluízio José queria preservar a música para deixá-la eternizada na história. Ele fala sobre preservação em sua última entrevista concedida ao Museu de Música de Mariana ainda no mês de Julho. “Temos que preservar, mas com consciência do que estamos fazendo. Não simplesmente preservar por preservar, só pra falar que temos documentos antigos. A música só no papel é importante, mas se ela não for audível, ela não é música.”

Vítima de um derrame, Aluízio José Viegas faleceu na última segunda-feira, 27 de Julho. Deixando para todos um grande legado com a preservação da história da música brasileira.

TEXTO/VAN: Thobias Vieira

FOTOS: André Martins / Arquivo Transparente de São João del-Rei

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