O som que vem do lixo

Quando música e reciclagem caminham juntos

A união entre reciclagem e música pode gerar bons frutos e é isso que
Neivison Barbosa de Souza, 24 anos, faz. O estudante de engenharia mecânica da
UFSJ e percussionista profissional aprendeu há algum tempo como tirar arte do
lixo. De acordo com o músico, que reside Em São João del-Rei desde 2007, a ideia
surgiu diante da necessidade de criar o tipo de som que ele queria ao mesmo
tempo em que pudesse economizar dinheiro. “Eu precisava de instrumentos
musicais, mas eles eram caros. Então eu pensei: por que não fazer eu mesmo?”, explica
o músico.
Pensando nisso, o percussionista começou a juntar diversos materiais
usados, que certamente iriam para o lixo, e analisar o que poderia ser feito
com cada um deles. “A principio eu copiava a lógica de instrumentos
convencionais. Eu observei um tambor, por exemplo, que é feito tipicamente de
madeira e cordas, e construí outro semelhante a partir de um tubo de papelão e
cordas de náilon. Recentemente fiz um chocalho utilizando tampinha de garrafas
pet, e outro com chaves, cada qual com uma sonoridade bem singular”, revela.
De acordo com Neivison, a maioria dos objetos utilizados na produção dos
instrumentos pode ser encontrada no lixo da sua própria casa, nos entulhos,
doados por vizinhos e amigos, ou até mesmo em lugares inusitados, como é o caso
das chapas de raio-x e dos galões de oxigênio inutilizados, que o músico
consegue em hospitais.
A atitude do estudante gera o que ele chama de “construção comunitária”,
pois envolve e até mesmo incentiva parentes e amigos a fazerem o mesmo: “As
pessoas que me ajudam acabam trazendo novas ideias, novos materiais e
consequentemente novas formas de se fazer música”.
Uma das principais fontes de inspiração para Neivison é o grupo
brasileiro de música instrumental Uakti, liderado pelo compositor e arranjador
Marco Antônio Guimarães. A banda é conhecida mundialmente por criar obras
singulares, advindas de instrumentos não convencionais criados pelos próprios
integrantes. “Marco Antônio Guimarães une utensílios não habituais, tais como
vidro, cano de PVC, cabaças etc. a instrumentos comuns do meio musical”, conta
Neivisson.
Neivisson Barbosa é também professor de musicalização na Companhia
Teatral Manicômios, onde procura incentivar seus alunos a reciclarem: “Sempre faço uso desses instrumentos
durante as aulas e busco constantemente propagar essa ideia entre os alunos. Eu
acho que essa é uma forma de reinventar uma possibilidade artística”.
Reportagem e foto: Marina Alzira Neves de Faria.
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