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O teatro como ferramenta de modificação social

O Grupo Galpão é um exemplo de conjunto que promove questões relevante por meio da arte e fonte de inspiração para os amantes do teatro

 

O Inverno Cultural UFSJ é um evento que sempre costuma trazer grupos teatrais de grande renome. Para este ano, a grande atração é o conjunto de Belo Horizonte, Galpão. Fundado em 1982, período de ensaio de saída da ditadura militar, em que ainda havia uma certa dificuldade para se estabelecer o aspecto cultural. Portanto, havia incentivo praticamente nulo para teatro.

 

Com a peça “Nós”, que corresponde à sua 23° montagem, eles objetivam abordar questões como violência, intolerância e convivência com as diferenças. Apresentada no Teatro Municipal de São João del-Rei de forma gratuita, a peça encantou, entreteu e instruiu todos os presentes. A casa cheia, inclusive, foi convidada a dançar junto ao grupo no palco, ao final da encenação, finalizando com muita música o espetáculo. “Nós” explicita bastante a abordagem que existe no grupo desde sua criação.

 

Antônio Edson, que esteve junto com o grupo desde quando foi fundado, comenta que todos os primeiros integrantes já tinham uma incipiente formação em teatro. Ele, por exemplo, esteve por três anos em um curso de teatro universitário. Teuda Bara, Wanda Fernandes e Eduardo Moreira, juntamente a Edson, tiveram seu primeiro encontro nas oficinas teatrais dos alemães Kurt Bildstein e George Froscher, do Teatro Livre de Munique. Foi em um bar que Teuda, Wanda, Moreira e Fernando Linares resolveram ir além, criando o próprio grupo, jurídica e estruturalmente.

 

O grupo teve grande influência do Festival de Inverno de 82, realizado pela UFMG em Diamantina. Foi nessa reunião que muitos dos conhecimentos que adquiriram foram postos em prática, com a criação do Galpão. Em seu início, as peças eram geralmente apresentadas nas ruas. Atualmente, o grupo financiado pela Petrobrás inclui a mesclagem de encenações ao espaço público e em teatros.

 

As apresentações ao ar livre sempre permitiram que algo como o teatro, antes visto como exclusivo aos palcos, chegasse ao grande público. A forma como os espetáculos acontecem causa grande comoção nos espectadores que recebem o conteúdo de uma forma diferente. Com relação a isso, Edson fala que “há grande preocupação e dificuldade de fazer uma peça longa e ainda manter o público prestando atenção”. Porém, ele diz que a experiência dos atores ajuda na forma como se passa o conteúdo e a execução das cenas.

 

Edson acrescenta também que as peças produzidas pelo grupo não procuram apresentar uma verdade. A proposta é dar espaço para outras vozes, chamando questões importantes para o debate e atendendo para a diversidade. “Devemos disponibilizar espaço para as minorias e para o conflito, sendo realizado no campo das ideias” explica o ator de 62 anos. Ele acrescenta que não se deve haver acomodação da situação de pensamento único e hegemônico. Também aponta para a diversidade e desigualdade brasileira que bate de frente com a questão da uniformidade. Assim sendo, há grande necessidade de discussão acerca desses pontos.

 

Além disso, como acrescenta o veterano, as encenações são bastante diversificadas, ao ponto de, ao assistir somente uma peça, não seja possível definir o caráter do grupo. Para ele, como há um grande número de peças, cada uma puxa para um aspecto e é, às vezes, voltada para algum público específico. Por isso, ao longo de seus 35 anos de existência tem-se tornado referência no meio.

 

Em 2017, o Galpão completa de 35 anos de trabalhos voltados para seu maior incentivador: O público. Tem uma trajetória marcada pelo amor à arte do teatro e busca abastecer seus espectadores de forma variada, trazendo com a peça “Nós” uma abordagem de cunho social.

 

Texto/VAN: Felipe Souza

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