Esse é o nono livro lançado pela oficina, que começou somente dois anos após o início do festival. FOTO/VAN: Amanda Rodrigues

“Os meninos que queriam escrever um livro” marca a segunda noite do Felit

A oficina de jovens autores do festival, neste ano contou com 30 alunos de oito escolas da cidade e o livro foi muito elogiado pelo autor homenageado deste ano

Esse é o nono livro lançado pela oficina, que começou somente dois anos após o início do festival. FOTO/VAN: Amanda Rodrigues
Esse é o nono livro lançado pela oficina, que começou somente dois anos após o início do festival. FOTO/VAN: Amanda Rodrigues

A segunda noite do Festival de Literatura São João del-rei e Tiradentes- FELIT- foi marcada pelo lançamento da obra “Os meninos que queriam escrever um livro”. O trabalho é resultado da oficina de preparação de jovens autores, a qual alunos das escolas de São João del-rei, se reuniram durante todo ano para produzirem crônicas inspirados nas obras de Ignácio de Loyola Brandão, autor homenageado nesta 10ª edição do festival.

A professora e uma das organizadoras do evento, Sônia Haddad, explica que após definir o autor homenageado, os professores da oficina selecionam algumas obras (do autor) e, em seguida, começam os trabalhos de leitura e discussão com os alunos. “Nós procuramos tudo que podermos obter, em termos de diversidade de material. No caso do Ignácio, por exemplo, ele nos facilitou, pois tem vários contos e para uma turma jovem, a gente começar leitura com um conto sempre é o início do equilíbrio para a leitura”, complementa a professora.

O professor de literatura e também um dos organizadores, Roginei Paiva acrescenta que a oficina teve início dois anos após o surgimento do Felit e que a escolha do gênero a ser trabalhado com os alunos, está muito ligado com o gênero marcante da carreira do autor homenageado a cada ano, “nós já fizemos livros de crônicas, poesias, já fizemos um que envolve quadrinhos quando o Ziraldo foi homenageado e também até um romance”. E completa, que contando com este ano, já foram cerca de 300 alunos que passaram pela oficina e o principal foco é fazer com que os jovens descobrem a leitura, “não é uma tarefa simples. Não se descobre isso na primeira oficina ou nos primeiros contatos, é com o tempo. Essa oficina não desperta só olhar para a leitura, mas também o olhar crítico deles”.

 

Boas experiências

Os 30 alunos que escreveram “Os meninos que queriam escrever um livro”, representam 8 escolas da cidade (entre municipais, estaduais e particulares), muitos deles possuem 14 anos e foi através do Felit que as experiências com a literatura foram além do que uma simples leitura. Como é o caso das estudantes Lohayne Andrade, Laura Matos, Gabrielle Teixeira e Beatriz Sales que estavam na turma de jovens autores e deram depoimentos para a VAN sobre as experiências com a literatura em suas vidas:

“Desde pequena eu sempre adorava ler, só que também sempre tive muita preguiça. Então eu me desafiava a ler livros maiores, que nem sempre eram para a minha idade”. – Lohayne Andrade

“Minha mãe é professora de português, então desde sempre na minha casa sempre teve muito livro, aí desde pequena eu já fui incentivada a ler muito”. – Laura Matos

“Eu nunca fui incentivada a ler tanto, mas depois que entrei no Felit, que fui ver o quanto é bom ler. E acho, agora, que a literatura é uma coisa muito legal”. – Gabrielle Teixeira

“Eu sempre gostei muito de ler e sempre fui apaixonada por livros. Aí uma vez eu fui à Bienal do Rio de Janeiro, então lá eu me apaixonei perdidamente pela leitura, eu acho que foi a Bienal uma das grandes incentivadoras para me fazer ler tanto”. – Beatriz Sales

Beatriz levou em sua crônica um pouco da magia dos sinos de São João para a Olimpíada de Português. FOTO/VAN: Amanda Rodrigues
Beatriz levou em sua crônica um pouco da magia dos sinos de São João para a Olimpíada de Português. FOTO/VAN: Amanda Rodrigues

A seleção dos alunos para participarem das oficinas, acontece por meio de indicações dos professores. No caso das escolas de Beatriz, Gabrielle e Lohayne, as professoras de português é que ficaram com a tarefa de selecionar 10 alunos que tinham uma maior afinidade com a leitura e a escrita. Já na escola de Laura, apenas duas – ela e mais uma aluna – é que foram convidadas pela direção à participarem do Felit.

“De quinze em quinze dias, a gente se reunia e estudava os textos do Loyola e depois tínhamos que criar um texto, tendo base nas coisas que ele escreve. E depois eles iam para correções e tínhamos que reescrever, até chegar no resultado final, que é o livro”, conta Beatriz, sobre como foi o processo de escrita do livro.

Beatriz, também, está na final da Olimpíada Nacional de Língua Portuguesa e contou que o Felit a influenciou e ajudou a escrever a crônica finalista, “eles davam muitas dicas de como produzir um texto bem escrito. E eu usei muitas delas para escrever a minha crônica”.

 

 

 

Prêmio Jabuti

O autor Ignácio de Loyola Brandão, teve acesso ao livro em primeira mão antes do lançamento, para assinar o prefácio da obra. E em seu discurso de lançamento, elogiou os estudantes: “Eu tenho na minha frente uma geração de escritores. Eu sou um escritor médio e vocês grandes escritores… e tomara que continuem com essa paixão, que é escrever”.

Após o elogio, o autor sugeriu para a organização da oficina que inscrevesse o livro para concorrer, na edição do próximo ano, do prêmio Jabuti.  “A gente tem que arriscar tudo. Eu inscreveria esse livro, ano que vem, no prêmio Jabuti. Eu acho que esse livro tem qualidade física e a alma dele para competir no prêmio”, e ainda completou dizendo que levaria a sugestão pessoalmente, “Inclusive eu vou levar, à Câmara Brasileira do Livro em São Paulo, um livro já com uma pré-recomendação. Claro, será uma votação imensa, mas acho que tem que arriscar”.

As jovens participaram da oficina e exibem o livro, que rendeu grandes elogias de Ignácio de Loyola Brandão. FOTO/VAN: Amanda Rodrigues
As jovens participaram da oficina e exibem o livro, que rendeu grandes elogios de Ignácio de Loyola Brandão. FOTO/VAN: Amanda Rodrigues

O elogio e a sugestão de Loyola, pegou todos de surpresa e bastante emocionados. O professor Roginei disse que já havia se emocionado antes quando viu que Ignácio havia realmente lido todo o livro, “Tomei um susto. Na verdade, já havia me emocionado quando recebi o livro e vi que ele tinha escrito a orelha do livro, fazendo uma colcha de retalhos, emendando os títulos com a essência do que havia dentro dos contos. E agora no depoimento dele indicando ao prêmio, realmente foi a coroação do trabalho dos meninos”.

Já os estudantes ficaram muito animados após o depoimento e já imaginam se o livro venha a ser realmente indicado e, quem sabe até mesmo ser premiado. “Eu não imaginei que ele ia falar isso, porque é um prêmio muito grande, que só abrange escritores renomados. E um escritor, que nem ele,  falar isso de um livro que eu fiz parte, fiquei muito lisonjeada”, relatou Beatriz Sales.

“Eu achei maravilhoso, imagina se a gente ganha o prêmio”,  comentou a estudante Laura Matos; e Lohayne completou, “a  gente nunca imaginou que isso poderia acontecer logo com o nosso prêmio e foi uma surpresa para todo mundo”. “Eu não imagina publicar um livro e escutar isso foi muito gratificante”, finaliza Gabrielle Teixeira.

A pedagoga que também é da organização do festival, Ana Lúcia, foi mais uma das emocionadas com a sugestão de Ignácio. “Foi maravilhoso, é uma honra para a gente. E mesmo que não consiga, só da indicação chegar lá, já é uma coisa que deixa a gente emocionado”, disse.

 

TEXTO/VAN: Amanda Rodrigues e João Vitor Bessa

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