Ponte de Nazareno não tem previsão de conserto

Ponte próxima a Nazareno continua interditada

 

Após 13 dias da queda da ponte de quase 12 metros no distrito de Palmital, na cidade de Nazareno, a rodovia BR 265 continua interditada e sem previsão de conserto, segundo o próprio Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Os veículos que seguem para São João del-Rei vindos de Lavras, Itutinga, Nazareno e outras cidades estão sendo obrigados a pegar um desvio pela estrada de terra por Palmital.

O motorista Alan Siqueira Santiago Silva, que faz o trajeto com estudantes da UFSJ e do IPTAN que moram em Lavras e vem diariamente para São João, concedeu uma entrevista à VAN “ Esse desvio por Palmital é muito ruim. São exatamente 13km de estrada de terra, com 11 mataburros, muitos lugares desbarrancando, caminhões tentando passar, é muito cansativo.” O desvio foi interditado pelo DNIT para veículos com mais de 10 toneladas, mas como não há fiscalização, carretas, ônibus e caminhões continuam usando o atalho e acabam, muitas vezes, atolados por causa das famosas chuvas de março.

As chuvas fortes de março também atrapalham na locomoção dos veículos. - Foto/VAN: Talita Tonso
As chuvas fortes de março também atrapalham na locomoção dos veículos. – Foto/VAN: Talita Tonso

O núcleo de comunicação do DENIT, em email, afirmou que a queda da ponte aconteceu devido às fortes chuvas que acometeram o Campo das Vertentes, provocando a cheia do Ribeirão Casa Nova. “A vazão percebida no corpo d’água tem previsão de recorrência de 50 anos. Tal cheia levou ao colapso a ponte, cuja a estrutura encontrava-se íntegra até então” relatam. O desvio oficial oferecido pelo Departamento, através de estradas asfaltadas, é por meio da Rodovia Fernão Dias, sentido Belo Horizonte, até o trevo da cidade de Oliveira, quando é possível entrar para a BR 494 e seguir em direção a São João passando por São Tiago e Ritápolis. O desvio de terra, contudo, é o escolhido pela maioria dos viajantes, uma vez que são apenas 13km a mais ao invés dos 80km excedentes da rota asfaltada (Lavras até São João pela BR são 100 km)

Carretas impossibilitaram a passagem de veículos menores na noite de segunda-feira. - Foto/VAN: Talita Tonso
Carretas impossibilitaram a passagem de veículos menores na noite de segunda-feira. – Foto/VAN: Talita Tonso

Paralelamente, um movimento chamado Somos Todos Vítimas da BR265, criado em Agosto de 2015, demonstra que a queda da ponte já era, infelizmente, esperada, tendo em vista o intenso tráfego e pouca manutenção da BR. “ A situação é complexa, milhares de pessoas dependem da BR265 para trabalhar, estudar e fazer tratamentos nos hospitais de Lavras e São João Del Rei. Necessita-se de uma ação urgente para sanar esses problemas e evitar que mais acidentes ocorram. A prioridade é estabelecer um acesso lateral à ponte que caiu.” O DNIT, entretanto, afirmou que essa não será a alternativa escolhida: “Quanto à construção de um desvio lateral, devido à questão ambientais e ainda, levando em consideração o tempo necessário à sua implantação, equivalente à construção da nova estrutura definitiva, concluiu-se pela sua inviabilidade técnica. Ainda não temos estimativa do custo final da obra, pois o seu orçamento encontra-se em fase de elaboração.”

Segundo Daniel Gedder, um dos colaboradores do movimento, há anos são enviados ofícios tanto para o DNIT quanto à políticos da região sugerindo melhorias e alterações que evitem acidentes e desgaste desnecessário da BR como a instalação de radares (exemplo da “curva do Dr. Hélcio”), uma balança para pesagem estática de caminhões e, principalmente, a Implantação de 40 km de terceiras faixas no segmento São João Del Rei – Lavras, com acostamentos.  “ Em quatro anos 123 pessoas perderam suas vidas no trecho de Lavras a São João Del Rei, precisamos unir força política para que esses pedidos sejam apreciados e atendidos em caráter de urgência, para a continuidade desta ação, que tem salvado inúmeras vidas” afirma Daniel

Google maps já atualizou a rota para que a ponte seja evitada por viajantes . - Imagem/Reprodução: Google Maps
Google maps já atualizou a rota para que a ponte seja evitada por viajantes . – Imagem/Reprodução: Google Maps

Com as chuvas, a situação piora por risco de erosão nas estradas, atolamentos e alagamentos, mas o  DNIT afirmou que há 10 dias estão mobilizando suas equipes para sinalizar o trecho intermediário e facilitar o reconhecimento e tráfego dos desvios para quem não conhece a estrada. “no momento estamos trabalhando nos levantamento e estudos para construção de um desvio provisório e reconstrução da ponte.” afirmou o núcleo de comunicação do departamento.

 

Texto/VAN: Talita Tonso
Foto/Reprodução: Redes Sociais

Deixe uma resposta