Precocidade infantil, prejuízos para a vida toda?

Barbara Barreto

Foto: Reprodução

Que menina nunca colocou o sapato de salto alto e usou a maquiagem da mãe? Ao longo da infância é normal querer se parecer mais velho, incorporar algumas características do universo adulto. Quando o uso desses objetos tipicamente adultos podem ser prejudiciais à criança?

O estudante de Psicologia, Luiz Felipe Viana Cardoso afirma que não existe uma idade fixa para o início da utilização desses elementos. “Para a psicologia não há uma idade definida em que a criança pode fazer uso de objetos como sapato de salto ou um batom. O que há são fases as quais a criança vai vivenciando ao longo do seu desenvolvimento. Esses objetos vão aparecendo na medida em que a criança vai se socializando e se relacionando com o mundo externo, ou seja, formando sua personalidade”, destaca.

Luiz Felipe aponta que o problema pode estar no excesso e na precocidade. ”Usar apetrechos dos pais ou ‘fazer de conta’ que é um adulto são coisas que fazem parte deste processo. O problema pode ser entendido quando essa exposição se torna desproporcional e/ou disfuncional para a idade e a fase que a criança se encontra. Não podemos esquecer que a criança não é como um adulto e, por isso, não pensa ou age como a mesmo”, relata.

O uso precoce do salto alto também pode causar prejuízos físicos. A fisioterapeuta Ana Carolina Amaral mostra como isso pode causar alterações posturais. “ O uso do salto alto por adolescentes é mais prejudicial, por elas estarem em fase de crescimento ósseo o que pode vir a causar alterações posturais e na marcha, além de desequilíbrios musculares, afirma.

Ana Carolina destaca que o uso do salto alto só é recomendado a partir da primeira menstruação, mas ainda sim, com restrições. “Após a primeira menstruação é a indicação de ortopedistas pediátricos. Mesmo assim indicado somente em ocasiões especiais como casamentos, festas. Tendo o seu uso alternado com calçados mais baixos e confortáveis, como tênis. Já o uso de saltos de 2 a 3 cm é ate recomendado”, recomenda.

Claudia Loureiro, mãe de Ana Claudia diz como isso acontece no dia a dia: “ Tudo a seu devido tempo. Acho que essa precocidade das crianças de hoje em dia não fazem bem nenhum a elas mesmas. Minha filha, Ana Claudia esta com 8 anos até hoje eu quem escolho as roupas dela. Deixo sim, ela escolher cor, modelo, mas quem da a palavra final sou eu. Ela é muito vaidosa, e adora usar acessórios, principalmente os meus. Não gosta de roupas curtas ou provocantes, ainda se veste como menininha, porque nessa idade já percebo as coleguinhas se vestindo como adolescentes. Minhas maquiagens e saltos são utilizados apenas em brincadeiras aqui em minha casa. Não acho muito natural crianças precoces nesse sentido, e o que eu puder retardar e resguardar minha filha , o farei, diz a mãe.

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