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Presbitério do século XVIII é descoberto em Ritápolis

O que a princípio seriam apenas reformas e restaurações no Santuário de Santa Rita de Cássia tornaram-se grandes surpresas. Foi encontrado recentemente o antigo presbitério da igreja e estima-se que o mesmo seja do século XVIII. “Nesses 160 anos de Paróquia achar o presbitério antigo foi um dos melhores presentes”, afirma Pe. Nélio José dos Santos, atual pároco de Ritápolis – MG.

O pároco conta como foi encontrar o antigo presbitério. Segundo ele “no dia que os pedreiros começaram na parte próxima ao trono, quebraram uma pedra polida (rústica). A sorte que não a espatifaram, ela quebrou uma ponta e pode ser encaixada e colada no seu lugar novamente. Cheguei lá e vi que era uma pedra enorme e trabalhada, disse a eles que era impossível estar ali como entulho e que era o nosso altar antigo, que eram pra ter mais cuidado. Pedi a eles que cavassem com mais delicadeza que ali tinha a nossa história viva e bem guardada e o tempo não destruiu”.

Segundo Otávio Augusto de Oliveira Vieira, Secretário de Educação do município e um dos colaboradores da obra, busca-se o resgate com o povo mais antigo e nos livros de registro da igreja como era o Santuário, no entanto, são fatos de aproximadamente 300 anos atrás, o que dificulta esse processo.

Os ritapolitanos acompanham de perto todo o processo de reforma e restauração e relembram como era a igreja e os rituais há mais ou menos 50 anos. A senhora Sônia Resende Amaral lembra que antigamente a missa era em latim e que os homens assistiam à missa na parte da frente da igreja e as mulheres na parte de trás. A moradora conta ainda que se recorda de haver a mesa de comunhão próxima ao altar, onde as pessoas se ajoelhavam para receber a eucaristia. Elemento este que irá ser colocado novamente no Santuário.

O Santuário passará por reformas no telhado e parte elétrica e restauração do presbitério, obras que são necessárias ao longo do tempo. Os artesãos do Athelier de Arte Nossa Senhora do Pilar, de São João del-Rei, foram contratados para participar deste processo através da fabricação de materiais sacros, como a mesa de comunhão. De acordo com Claudio Neves da Silva e Bruno Mendes, componentes do ateliê, o trabalho deles visa resgatar parte de como era, criando peças sacras que respeitem o estilo do altar.

A expectativa de término da obra é de novembro ou dezembro deste ano. “Tudo isso deixa o meu coração feliz e por ser filho da terra, mais feliz permaneço ao recuperar a história do templo de nossa Paróquia. Acredito que a reforma nos ajudará a reformar também o nosso coração. Recordar é viver!”, completa Pe. Nélio.

Texto: VAN/ Déborah Vieira
Foto: Déborah Vieira

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