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Prevenção: Meninos poderão ser vacinados contra HPV

Além de proteger a população masculina de doenças que podem causadas pelo vírus a vacinação também irá diminuir o risco de contágio

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Na última semana, o Ministério da Saúde anunciou que a vacina contra o HPV também estará disponível para meninos de 12 a 13 anos, a partir de janeiro de 2017. De acordo com dados do Ministério, o Brasil será o primeiro país na América do Sul e o sétimo do mundo juntamente com Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá a oferecer a vacina contra o HPV para meninos em programas nacionais de imunizações. A ação foi desenvolvida com o intuito de reduzir a propagação do vírus no país e a vacina estará disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A campanha contra o HPV no Brasil teve início em 2014, porém a vacina só era disponível para meninas de 11 e 13 anos. A faixa etária foi ampliada e atualmente contempla garotas de 9 a 13 anos. Para os meninos, a faixa de idade também sofrerá alterações, de acordo com o Ministério da Saúde ela será ampliada gradativamente, e em 2020 será de 9 a 13 anos.

 

O HPV e a vacina

O HPV é um vírus transmitido principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas que pode causar verrugas ou lesões precursoras de câncer. A enfermeira Christiane Ribeiro Fernandes explica que a vacina foi pensada, primeiramente, apenas para as meninas devido ao HPV ser um dos maiores responsáveis pela existência câncer do colo de útero.

Christiane ressalta que quando a vacinação estiver disponível também para meninos a prevenção contra esse tipo de câncer será ainda maior, pois haverá uma grande redução nos riscos de contágio. A população masculina também será beneficiada já que a vacina será uma proteção contra câncer de pênis, garganta, ânus e verrugas genitais.

A idade é um fator extremamente importante para prevenção. De acordo com Christiane é preciso pensar em imunizar bem antes da idade em que se iniciam as relações sexuais. “Se  idade mínima para vacinação fosse 15 anos, por exemplo, já teríamos perdido muitas meninas”, explica.

Segundo a técnica em enfermagem Patrícia Gomes da Silva, além da vacina e da utilização de preservativos podem ser realizadas outras medidas para auxiliar na prevenção como evitar múltiplos parceiros, realizar exames ginecológicos periodicamente  e realizar o papanicolau.

 

A rejeição enfrentada

A vacina vem enfrentando preconceito por parte dos pais, muitos a rejeitam por achar que seus filhos não precisam dela, já que estão muito novos e não têm relações sexuais ainda, outros acreditam que a vacina possa fazer mal a seus filhos. Para alguns profissionais da área de saúde falta divulgação sobre o assunto, assim  precisa ser feito um trabalho de conscientização para que as dúvidas da população sejam  esclarecidas da melhor forma possível. “Na minha opinião, a vacina não está sendo divulgada de forma correta, isso está assustando muitos pais. Tem muitos que acham que seus filhos ficarão estéreis, ou que vai haver mudança nos hormônios”, diz Patrícia.

Rosemilda Gomes de Santana é técnica de segurança do trabalho. Mãe de um garoto de 11 anos, ela acredita que o preconceito e rejeição se dá devido ao processo de vacinação ainda estar no começo. “Quando se desenvolve vacinas é comum ficarmos com receio. Lembra da H1N1 ou da vacina contra o Zika vírus? Em ambas  muitos ficaram receosos”. A técnica acredita também que os mitos que vão se reproduzindo sobre o assunto, sempre dificultam o trabalho de prevenção. Destacando que é importante a notícia e as informações serem divulgadas por profissionais da saúde para que sejam vistas como verdadeiras.

Com a vacinação disponível para meninos, também é esperado um certo preconceito, já que a divulgação do tema ainda está muito precária. “Se não mudarem as estratégias de divulgação acredito que possa haver rejeição também, a mídia deveria fazer um trabalho em cima disso para colaborar, já que é um grande avanço que está sendo recusado muitas vezes por falta de esclarecimento”, diz a enfermeira Patrícia.

 

TEXTO/VAN: Scarlet Freitas e Victor Zanola

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