Qualidade de vida de idosos em São João Del Rei

Lis Maldos e Maria Clara Lauar                  24 de março de 2013| De São João del Rei

Idosos do Albergue Sto. Antônio/ Foto: Marlon Bruno de Paula

Em São João Del Rei, de 1991 até 2000, o número de idosos aumentou em cerca de 1500 pessoas. Desde 1987, a cidade já conta com o apoio da ASAP (Associação dos Aposentados e Pensionistas), criada com o objetivo de proteger os interesses dos aposentados e acolher principalmente a terceira idade, e do Albergue Santo Antônio, o único asilo ativo na cidade.

O número de pessoas com mais de 65 anos continua a aumentar no mundo. Essa tendência ameaça os sistemas nacionais de saúde, pelo fato de forçar um constante reestruturamento dos serviços oferecidos. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025, o Brasil irá alcançar o 6º lugar dentre os países com maior população idosa. O panorama será de 11% da população brasileira sendo composta por idosos, o que equivale a 21 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. De acordo com o ENADE, mais da metade dos idosos tem hipertensão, 24% tem artrite e 17% possuem doenças cardíacas. Diabetes e depressão também são comuns nessa faixa etária.

Em São João del-Rei, uma parcela da terceira idade recebe suporte de entidades. O Albergue Santo Antônio assume caráter imprescindível para a população local. Criado no dia 08 de setembro de 1912, por iniciativa do padre Frei Cândido Wroomans (1868-1937), a casa é o único albergue em atividade no município.

A principal causa para procura do albergue é a invalidez. Para a psicóloga Lilian Camarano Rezende, quando o idoso não tem condição de ficar sozinho e precisa de cuidados especiais, já não anda, está de cama, ou começa a ser um risco para si mesmo, familiares geralmente procuram o asilo. No entanto, grande parte dos moradores é composta por aqueles que não detêm apoio familiar e foram abandonados, e por antigos moradores de conferências.

A psicóloga explica o processo de internação: “A realidade das pessoas hoje é o trabalho. Quando o idoso começa a demandar cuidados especiais, famílias que não têm condições acabam escolhendo essa alternativa. A partir dessas circunstâncias, é feita uma entrevista com a família e com o idoso e, quando há lucidez do segundo, prevalece sua vontade. Decidida a internação, são feitos exames básicos que o SUS cobre e é regido um contrato referente às obrigações do albergue e da própria família”. Segundo ela, existem duas restrições apenas: a internação de indivíduos portadores de doenças infectocontagiosas e de indivíduos com faixa etária inferior a 60 anos.

A casa conta com 77 moradores. Destes, apenas 29 são homens. A absoluta maioria feminina conta com idosas como Dona Nazaré, que chegou ao Albergue em 1964 e reside lá até hoje. Muitas advindas de orfanatos têm sua história confundida com a própria história do albergue.

Em média, há três moradores por quarto, sendo que a rotina destes idosos se resume a acordar cedo e dormir cedo. Duas vezes na semana, contam com atividades de ginástica e educação física, teatro e artes, além de eventos esporádicos, como bailes e barraquinhas. A presença constante de voluntários também ocupa o dia dos internos. As visitas podem ser realizadas diariamente das 13:00h às 15:00h.

Os exames são realizados com certa regularidade e há a presença de um geriatra uma vez por semana. A casa também conta com profissionais como fonoaudiólogo, cardiologista e duas enfermeiras chefes. Segundo Ana Mercedes de Carvalho, enfermeira responsável técnica, as doenças mais recorrentes nessa idade são alzheimer, derrame, hipertensão, diabetes e insuficiência venosa. “As famílias hoje seguram o máximo possível. A internação só é feita quando não aguentam mais. O idoso que vemos lá fora,não é o idoso que chega aqui. A maioria chega tão debilitada que já não têm o quê trabalhar com eles. A cognição já está comprometida. Ele não foi estimulado no tempo devido e a alimentação não foi correta”, ela explica.

O Albergue Santo Antônio sobrevive a partir de doações e através de convênios com deputados ou com o Governo. Dentro da instituição, também funciona um bazar, fonte de renda para a compra de donativos que abasteçam as necessidades da casa. Atravessando gerações, seus internos e funcionários contribuem para a transformação da realidade dos idosos de São João del-Rei.

Maria do Carmo vive essa realidade da faixa-etária. Moradora do bairro Santa Terezinha, ela acredita: “deve-se ensinar aos filhos a dar valor aos mais velhos, para que um dia eles possam cuidar dos pais e avós, da mesma forma que eles um dia cuidaram dos seus filhos e netos”.

Em uma sociedade estratificada e dividida por aqueles que aprendem, os que produzem e aqueles que saíram do ciclo produtivo, onde se incluem os idosos, D. Maria do Carmo contraria esse estigma. A aposentada mantém um pequeno comércio na própria porta de casa. “Para viver uma terceira idade saudável não se deve alçar o que não dará conta, depois, de se realizar.”, aconselha a comerciante.

A Associação dos Aposentados e Pensionistas (ASAP) também é outra entidade direcionada à melhoria na qualidade de vida de idosos. A ASAP se ergueu por conta própria, sem qualquer ajuda do governo municipal. Segundo o presidente Ilson da Silva Neves, “foram criadas várias formas de manter a qualidade de vida dos associados, como através de atividades de lazer, que têm o intuito de tirá-los de dentro de casa e não deixar que a vida se torne ociosa, uma vez que este fato pode contribuir para o adoecimento dos idosos.”

A Associação promove atividades como aulas de dança sênior, ginástica, bailes quinzenais, o próprio coral da ASAP, além de eventos festivos e temáticos de acordo com as comemorações anuais, como Dia dos Netos, que é como chamam o Dia das Crianças, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Avós, Festa Junina, Via Sacra, dentre outros.

A ASAP também mantém um convênio com toda a área de saúde de São João Del Rei, além de ter consultório médico dentro da própria instituição, que conta com oito médicos, entre eles, um geriatra, um clínico geral, um psiquiatra, um fonoaudiólogo, um psicólogo, um nutricionista e um fisioterapeuta. Também são conveniados à FarmASAP, que é uma cooperativa na qual são conseguidos descontos para os associados. Para ser um associado, basta ser aposentado ou pensionista, não apenas pelo INSS, mas por qualquer via de aposentadoria e são cobrados R$ 7,00 mensais enquanto membro.

Deixe uma resposta