Segurança nas casas noturnas: o que mudou em SJDR após a tragédia em Santa Maria

Cecília Santos, Dani da Gama e Marlon de Paula

Foto: Reprodução

Em 27 de janeiro, o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), deixou um saldo de 241mortos, centenas de feridos e perplexidade por todo o país. A repercussão da tragédia movimentou ações por uma maior segurança nas casas noturnas de todo o país e a discussão por medidas mais rigorosas e fiscalização mais ativa por parte das autoridades. 

Após três meses da tragédia, algumas providências foram tomadas em São João del-Rei em busca da preservação da segurança dos frequentadores de casas noturnas. Alguns estabelecimentos que fecharam após o incidente já providenciaram reformas e voltaram a funcionar, como a boate Domo. Outros, como o São Jorge Bar Divertido, não apresentaram condições de serem reformados, e não voltaram a abrir.

Tarcilio P. Vivas, proprietário do Retro Cine Bar, explica que a fiscalização aumentou após a tragédia. “O Retrô foi a única casa que foi autorizada, desde aquele evento, a funcionar, enquanto todas as outras fecharam. Houve sim um aumento na fiscalização, do pessoal do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Vigilância Sanitária, que não tem muito a ver diretamente, mas todos visitaram a casa”, destaca. Tarcilio Vivas afirma ainda que nunca houve em seu estabelecimento algum show que utilizasse pirotecnia, por não ser o perfil do local.

Após o acontecimento em Santa Maria, alguns estudantes estão em alerta. Thayanne Nascimento, 19 anos, estudante de Comunicação Social, conta que presta atenção às condições de segurança dos locais que frequenta, mas confessa que percebe que a segurança não está adequada e, mesmo assim, continua indo ao local. Bárbara Pereira, 18, estudante de História, também afirma que notou o fechamento de casas noturnas, mas que não tem tomado nenhuma cautela, assim como Juliano Siqueira, 26, estudante de Arquitetura, que afirma: “Não passei a tomar mais cautela, infelizmente. Mas percebi, sim, mudanças, pois vejo que as autoridades estão mais rigorosas, requerendo alvarás, e, até mesmo, fechando estabelecimentos irregulares”.

Já a estudante Lis Maldos, 20, estudante de Comunicação Social, conta que mudou seus hábitos, e, após a reabertura das casas que frequenta, passou a verificar suas condições de segurança. Ela afirma que nota que os lugares aos quais retornou tiveram adaptações, embora poucas, na sua estrutura e organização da entrada e saída. “Logo depois que reabriram, a primeira coisa que olhei ao chegar foi onde era a saída de emergência, então acho, que de certa forma, passei a tomar alguma cautela sim. Mas acredito que, depois de um tempo que se passou do episódio de Santa Maria e a notícia esfriou, as pessoas passaram a frequentar os lugares como  antes, sem dar a mínima atenção a esses detalhes importantes”, enfatiza.

O que você pode fazer?

O subtenente Eduardo, do Corpo de Bombeiros de São João del – Rei, diz que a população pode ser parceira das autoridades na fiscalização. “Todas as edificações de reuniões de público, para serem liberadas, possuem em sua entrada principal o AVCB – Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. Ele atesta que a edificação está em condições de funcionamento. Também deve ter uma placa com os dizeres de todas as medidas preventivas que aquela edificação possui, seja extintor de incêndio, iluminação de emergência, barra anti-pânico – dispositivo obrigatório para lotações acima de 200 pessoas – e a sinalização de emergência”, orienta. Segundo ele, é essencial que haja precaução por parte dos frequentadores e responsabilidade dos proprietários e autoridades, para que possam ser evitadas novas catástrofes.

Deixe uma resposta