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Orquestra tocando a última música

Semana Santa em São João del-Rei é marcada pela tradição secular do Ofício de Trevas

Assim como todos os anos, o Ofício de Trevas lotou a Catedral do Pilar na noite de quarta-feira santa

 

Fiéis e orquestra em harmonia em um dos cânticos. Ao fundo, o candelabro de trevas
Fiéis e orquestra em harmonia em um dos cânticos. Ao fundo, o candelabro de trevas

Uma tradição secular da Igreja Católica, o Ofício de Trevas, marca às celebrações da Semana Santa na noite desta quarta-feira (13), em São João del-Rei.  Entoada em latim, o ato também foi acompanhado pela Orquestra Ribeiro Bastos, que executou responsórios e laudes compostas pelo falecido Padre José Maria Xavier, alternando com o Coro Gregoriano que entoou os salmos e lamentações, marcando o início do Tríduo Pascal, sendo a primeira de três missas que que celebram a paixão e ressurreição de Cristo.

A celebração atrai centenas de fiéis todos os anos. Seu Antonio Emilio da Costa, por exemplo, veio de Brasília para vivenciar esse momento de fé. Todo ano ele viaja para Minas Gerais para assistir a o Ofício, pois para ele é muito importante a manutenção dessa tradição, visto que apenas em São João del Rei ocorre a celebração completa, com os três dias de missa. “Eu já estava com as passagens compradas, mas devido a uma complicação no meu trabalho, não sabia se poderia vir este ano. Mas ainda bem que consegui. (…) Em outras cidades só celebram o primeiro dia, mas aqui são os três.” Ele mantém um blog chamado “Direto de São João del-Rei” em que escreve sobre tradições, costumes históricos e eventos que ocorrem na cidade. Entre tantas outras, a publicação do dia 11/04 fala exatamente sobre a semana santa e suas curiosidades. Assim como Antônio, várias outras pessoas expressaram seu encantamento com o Ofício.

Lotação na Catedral do Pilar na noite do Ofício de trevas
Lotação na Catedral do Pilar na noite do Ofício de trevas

Como é o Ofício de Trevas?

O nome pode parecer meio intimidador, com um significado obscuro, porém, somente se deve ao “terremoto” causado pelos pés dos fiéis batendo no chão da igreja enquanto todas as luzes estão apagadas e a Igreja se encontra em completa escuridão. Começando às sete horas da noite, a cerimônia se inicia com um candelabro de quinze velas, todas acesas, assim como as luzes da igreja. Ao fim de cada leitura, uma vela é apagada, até que no final sobre somente uma, ao som de cânticos entoados pela Orquestra Ribeiro Bastos. Ao mesmo tempo, as luzes da igreja vão sendo apagadas também. A última vela é escondida quando as luzes se apagam, e retorna ao candelabro após o barulho estrondoso das pessoas batendo os pés no chão. Toda a cerimônia é celebrada em latim.

A cerimônia é repleta de significados e representatividade: O candelabro de 15 velas do lado direito do altar, representando Jesus e os discípulos. As velas que vão se apagando representam os que abandonaram Jesus Cristo durante a Paixão. O “barulho” no final significa o terremoto e a perturbação dos inimigos, recordando a desordem que sucedeu na natureza, com a morte de Nosso Senhor.

A cerimônia é muito vívida para os fiéis, principalmente quando as luzes e as velas se apagam, até que toda a igreja mergulhe na escuridão. Assim já explicou o Bispo Diocesano Dom Célio de Oliveira Goulart, sobre a importância religiosa para os que participam: “Quando fica tudo escuro e acontece aquele bater de pés no chão da igreja, quer dizer que Jesus morreu e, de repente, surge aquela vela que ficou acesa, representando Cristo vivo, ressuscitado. Assim a igreja se ilumina novamente. São formas de nos prepararmos para a celebração do Mistério da Paixão e da morte de Jesus Cristo. E é muito importante para nós preservarmos essa tradição.”, ressalta o Bispo diocesano.

TEXTO/FOTO: Clara Mattoso

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