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SJDR sedia Encontro Estadual de Sineiros

“Queremos manter a tradição de tocar sinos, pois essa é a nossa identidade”. Essa foi a declaração de Nilson José dos Santos, sineiro são-joanense, no Encontro Estadual de Sineiros, realizado com a parceria do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN) da cidade. Com o objetivo de discutir as questões sobre a salvaguarda dos sinos, que tem seus toques e o ofício de sineiro considerados patrimônio cultural brasileiro, a iniciativa reuniu recentemente sineiros de Sabará, Ouro Preto, Diamantina e demais regiões, na Biblioteca Municipal de São João del- Rei. 

No evento, os sineiros tiveram a oportunidade de se posicionarem quanto aos problemas enfrentados na rotina do ofício. Segundo eles, a conservação dos sinos, a falta de segurança nas torres das igrejas, os obstáculos na comunicação entre sineiros e a igreja, bem como a dificuldade de conduzir as técnicas de toque para os sineiros iniciantes, são algumas dos principais problemas que os afligem. Vitor Salomão, de apenas 13 anos, entende que, daqui há alguns anos, o repique dos sinos pode não ser o mesmo de anos passados, mas acredita que as mudanças não podem ser extremas a ponto de perder a “linha padrão” que caracteriza cada repique. Rodrigo Ribeiro Silva (33) afirma ser necessário passar a tradição para a futura geração de sineiros, já que um dos motivos do evento é repassar segurança para eles. “A gente quer passar um treinamento de qualidade para que eles possam representar bem a gente no futuro”, ressalta.

De acordo com Silva, a preocupação é alertar as autoridades sobre os sineiros e os dilemas que eles têm enfrentado para atuar nas procissões, a fim de tentar manter as tradições que ainda existem. Com todas as dificuldades apresentadas, para Corina Moreira, coordenadora do Patrimônio Imaterial do IPHAN de Minas Gerais, o papel do Instituto é articular – juntamente com as instituições sociais – os problemas enfrentados a fim de solucioná-los. “Nós articulamos os sineiros, fazemos contato para nos juntarmos e analisarmos as ações a serem definidas como prioritárias para efetivá-las, colocando recursos, fazendo contratações necessárias, articulando com a prefeitura de cada cidade, com os representantes da igreja, para assim executarmos as ações de salvaguarda”, ponderou.

Texto:  Leonardo Duque e Jederson Lucas
Foto: Jederson Lucas

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