Só um pouco de amor

Após ficar 24h preso em
tubulações nas Águas Santas, filhote resgatado ganha um lar
Foto: Blog JovemPan
Moisés, um cachorrinho de tom caramelo e de porte grande, é alegre e
muito esperto. Adotado recentemente pelo senhor Dilermano, vizinho do balneário
das Águas Santas, em Tiradentes, esse destino poderia ter sido diferente, se no
começo do mês de novembro, Moisés não tivesse sobrevivido ao resgate nas
tubulações do balneário. Filhote de três meses, o cachorrinho estava brincando
nos arredores do parque, quando ao entrar em uma das tubulações, não conseguiu
retornar.
“Chegamos ao local às 18h de uma sexta-feira. Descobrimos que o cachorro
estava preso desde a noite da quinta-feira, e o resgate só aconteceu de fato
quando de meia noite da sexta”, relata Verônica Lordello, membro da Sociedade
Protetora dos Animais, que acompanhou o resgate. O salvamento, efetivado
somente 24 horas depois do incidente, chama a atenção pela falta de preparo
para emergências. “O corpo de Bombeiros já tinha sido chamado às 9h da manhã,
mas não puderam fazer nada, pois acharam que tinham que quebrar uma parte
externa de pedras e não havia autorização para isso”, revela.
            Verônica, que estava acompanhada da
advogada da Sociedade, Leidiane Gouveia, decidiu chamar a Polícia Militar e
fizeram uma ocorrência, com o intuito de apressar o acontecimento. “Quando a
polícia chegou, demos conhecimento do que estava se passando e eles então acionaram
o Corpo de Bombeiro”, disse. “O que eu notei foi que eles chegaram
completamente despreparados para fazer o salvamento, sendo que eles já tinham
conhecimento do problema. Não tinham uma lanterna sequer, absolutamente nada!
Chamaram, então, outros bombeiros para que trouxessem o material necessário
para o resgate”, recorda.
Por um pouco de amor
 Ao se identificar como membro da
Sociedade Protetora dos Animais, segundo Verônica, ouviu que seria muito útil a
presença dela para resolver os problemas que se passam no local. “Eu só
gostaria de esclarecer que a Sociedade não tem fins lucrativos. Sobrevivemos
com recursos de doações de pessoas que gostam dos animais que abraçam essa
causa com a gente”, destaca. Ela acrescenta que a obrigação de cuidar dos
animais é do Estado, pois existe uma lei para amparar essa falha. “Cuidamos por
amor dentro das nossas possibilidades. Nós passamos o chapéu para recolher as
doações mesmo; é um esforço coletivo”, reforça.

É crime!

            De
acordo com a Lei 9605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais prevê os
maus-tratos como crime que pode redundar em pena. O decreto 24645/34, feito por
Getúlio Vargas, determina quais atitudes podem ser consideradas como
maus-tratos: abandonar, espancar, golpear, mutilar e envenenar; manter preso
permanentemente em correntes; manter em locais pequenos e anti-higiênicos; não
abrigar do sol, da chuva e do frio; deixar sem ventilação ou luz solar; não dar
água e comida diariamente; negar assistência veterinária ao animal doente ou
ferido; obrigar a trabalho excessivo ou superior a sua força e capturar animais
silvestres.
            Leidiane Gouvêa afirma que caso seja
flagrada alguma dessas ações, deve-se acionar a Policia Militar e registrar um
boletim de ocorrência. “Após fazer o um BO, o delegado é obrigado a instaurar
um inquérito, para apurar a autoria do delito, no qual vai ser denunciado ao
Ministério Público e pode ser condenado de três a um ano”, explica. “Entrei
para Sociedade para divulgar essa questão, para as pessoas perceberem que é
errado cometer essas atitudes e, assim terem receio de fazer essa ação porque é
um crime; é questão de conscientização” completa.
Texto: Carol Slaibi
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