Foto: Bárbara Morais

Solar dos Neves é palco de manifestações após delações da Lava Jato

Movimento reivindica eleições diretas e providências contra o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves. Organizadores pretendem estender as mobilizações até que as reivindicações sejam atendidas

Foto: Fernanda Almeida
Foto: Fernanda Almeida

As delações premiadas feitas pelos donos da JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista, causaram grande alvoroço no país. Em São João del-Rei não foi diferente. Integrantes da Frente Brasil Popular, alguns estudantes e moradores da cidade foram às ruas em ato para pedir a prisão de Aécio Neves e eleições diretas.

O movimento teve início por volta das 17h, na tarde desta quinta-feira (18). Os manifestantes se concentraram em frente ao Coreto Maestro João Cavalcanti e saíram em caminhada até o Solar dos Neves,  casarão da família onde morou o ex- presidente Tancredo Neves, avô do senador Aécio Neves.

Para Socorro Taroco, professora aposentada, o momento foi histórico. “Eu vivi para ver isso. Acho que finalmente vai começar a ser exercida a justiça no Brasil. Sou da classe mais massacrada, a dos professores, e vem daí minha indignação”. Um dos organizadores da Frente Brasil Popular de São João del-Rei, Luan Ariel, também do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, Sind-Ute, disse que as manifestações não devem parar até que sejam realizadas novas eleições diretas. “Não adianta nada tirar o Temer para o Rodrigo Maia assumir. O povo tem que tomar de volta seu direito de  decisão sobre o futuro do país”, reivindica.

Entretanto, há aqueles que são contra as manifestações, como o auxiliar administrativo Gilberto dos Santos. “Tem que fazer lá em Brasília. Isso aí é bobeira. Ninguém sabe de nada que está acontecendo na política do Brasil. Tá uma confusão”.

Em frente ao imóvel da família, um dos principais pontos turísticos da cidade localizado no Centro Histórico, um boneco do senador Aécio Neves foi queimado em meio a gritos de protesto e indignação.

Entenda o caso

Em gravação feita pelo dono da JBS, a segunda maior  empresa de produção de alimentos do mundo, o senador Aécio Neves, presidente do PSDB nacional, foi gravado pedindo R$2 milhões com a justificativa de que precisava do dinheiro para sua defesa na operação “Lava Jato”. Quem recebeu o dinheiro foi seu primo, Frederico Pacheco de Medeiros, um dos coordenadores da campanha do tucano para a presidência em 2014 e ex-diretor da CEMIG, nomeado pelo parlamentar quando era governador do estado (período de 2003 a 2010).  

Em dado momento na gravação, quando questionado sobre quem receberia o dinheiro, Aécio Neves chegou a responder: “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer a delação.” Contudo, em nota divulgada por sua assessoria, o senador se disse absolutamente tranquilo quanto a correção de todos os seus atos.

Mesmo diante das provas, o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de prisão do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Não foi, entretanto, o caso de sua irmã e principal assessora Andrea Neves. Na manhã do dia seguinte à divulgação das delações, ela foi presa em operação da Polícia Federal acusada de ser a mediadora entre o irmão e o empresário da JBS.

As gravações também comprometem o presidente Michel Temer. Em uma delas, ele dá aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, por meio de uma mesada.

O parlamentar, preso em setembro do ano passado, foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro como responsável pelas ações da Operação Lava Jato na primeira instância, a quinze meses de prisão, pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas, referentes ao pagamento de propina milionária que envolveu a compra do campo petrolífero de Benin, na África, pela Petrobras, em 2011.

Em nota, a Assessoria de Comunicação e Imprensa do Governo negou o conteúdo referente ao encontro de Michel Temer com Joesley Batista. O presidente, em pronunciamento na quinta-feira, afirmou que não renunciará. O STF, entretanto, autorizou abertura de inquérito contra o presidente e liberou a divulgação das gravações envolvendo Temer.

Texto/VAN: Daniela Mendes, Yasmim Nascimento

Equipe: Bárbara Morais, Felipe Souza, Lucas Teixeira, Rafaela Pelegrino, Daniela Mendes, Yasmim Nascimento 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Deixe uma resposta