Soltar pipa é brincadeira perigosa?

A realização da Copa do Mundo em junho adiantou as férias escolares e, com o período de recesso coincidindo com a chegada do inverno, soltar pipa tem sido uma das atividades preferidas da garotada. O crescimento dessa prática é resultado das condições climáticas, com o aumento dos ventos e clima seco.

Passada de geração em geração, a brincadeira atravessou os tempos. As pipas surgiram na China há mais de 2000 anos e foram os primeiros objetos a serem mantidos no ar explorando-se a força do vento. Em contato com diferentes épocas e culturas, as pipas já foram consideradas bélicas, científicas e, atualmente, são sobretudo lúdicas.

O estudante Pedro Augusto (15) leva a brincadeira muito a sério e, segundo ele, é uma atividade que preenche seu dia ao longo das férias. “Quando acabam os jogos da Copa na televisão, vou para a horta aqui perto e, junto com meus primos, levantamos a pipa e entramos em uma competição”, relata.

Luan Gomes (14)  também aproveita esse recesso das aulas para a diversão. Segundo ele, “o bom de soltar pipas é quando um corta a pipa do outro. Nós vamos correndo atrás daquela que foi cortada e, aquele que é mais veloz fica com a pipa”.

Contudo, a brincadeira pode se tornar perigosa com a utilização do cerol – utilizado para cortar outra pipa -, pois ele geralmente contém cola, vidro moído e alguns materiais condutores de eletricidade. A Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) alerta para os riscos do uso desse material que, ao atingir a rede elétrica, pode provocar transtornos e, até mesmo, acidentes.

De acordo com dados da empresa, entre o mês de janeiro e maio deste ano, a prática de soltar pipas foi responsável por mais de 1,3 mil ocorrências de interrupção do fornecimento de energia elétrica, atingindo cerca de 400 mil consumidores em todo o estado.

Para evitar situações como essa, a CEMIG indica que as pipas sejam empinadas em espaços abertos, como praças, parques e campos de futebol, ou seja, longe de redes elétricas. Desaconselha-se o uso de rabiolas – que agarram na fiação elétrica, provocam choques e desligamento do sistema – e de utilização de papel alumínio na confecção da pipa, por ser um material que, em contato com fios, provoca curtos-circuitos.

Segundo a CEMIG, não é indicado soltar pipa na chuva, pois ela funciona como para-raios, conduzindo eletricidade. Nunca se deve tentar recuperar uma pipa enroscada na fiação elétrica, nem se deve utilizar linhas metálicas no lugar de linha comum, pois podem provocar choques elétricos. Por fim, a CEMIG alerta para o cuidado com ciclistas e motociclistas, que podem se ferir gravemente, já que as linhas não são facilmente vistas. Lembra também que o uso do cerol ou da linha chilena é proibido por lei e pode matar.

Texto: VAN/Willian Carvalho
Foto: Willian Carvalho

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