FOTO: ALZIRA HADDAD

Uma “doce” história

FOTO: ALZIRA HADDAD
FOTO: ALZIRA HADDAD

Em São João del-Rei, ao menos uma vez, os moradores ou mesmo os turistas já ouviram uma moça gritando pela rua afora “olha o quebra queixo!”. Essa é Edna dos Santos Marcolino, doceira, mãe, avó, batalhadora, determinada e moradora do bairro Bonfim.

Todos os dias Edna segue sua rotina na produção de doces, arte herdada pelo pai. A sua história começa quando seu pai, antigo escravo de uma fazenda no Nordeste, na qual ele não se lembra a qual estado pertencia ou qual idade ele tinha, fugiu ainda criança com um grupo de escravos para Minas. Após sua chegada em São João del-Rei, ele foi adotado por uma família residente do bairro do Morro da Forca e batizado, anos mais tarde, para que pudesse se casar. O novo casal se mudou para o bairro Gameleira, nas proximidades do bairro Tejuco, onde criaram todos os seus filhos. Seu pai aprendeu a arte de fazer os doces com a família que o adotou e já os vendia desde a infância. Após se casar, ele passou o ofício para a esposa e consequentemente os filhos foram apendendo.

Edna começou cedo a vender seus diversos tipos de doces, há cerca de 30 anos, pelas ruas são-joanenses e seguindo a Maria Fumaça até Tiradentes em torno de 12 anos. A doceira todo final de semana adoça o passeio dos turistas levando os seus maravilhosos docinhos na viagem de trem e vendendo durante o trajeto.

Ela conta não ser a única a trabalhar com este ofício herdado do pai, garante ainda ter uma irmã que faz os doces que são partidos na hora e os vende carregando um carrinho, e ainda tem um irmão que vende nas praias cariocas pirulitos em forma de chupeta.

A fim de resgatar as tradições da cidade, a são-joanense Alzira Haddad, criou um projeto gastronômico chamado “Delícias de Antigamente”, o qual Edna foi a primeira inscrita do grupo. Ela conta que cursos profissionalizantes foram oferecidos, como também a higienização dos alimentos, a divulgação dos participantes, algo que foi favorável ao aprimoramento do trabalho dos participantes. Para Edna, o curso ainda ofereceu a caracterização da vendedora, um chapéu, um avental e a já conhecida bandeja, onde ela carrega todos os seus doces para a venda.

Edna diz que seus tradicionais doces são receitas antigas e garante ser a que faz a maior variedade de doces na sua família. Dentre as guloseimas que ela faz é possível encontrar: puxa-puxa, cocada, pé-de-moleque, quebra-queixo, doce de mamão, doce de abóbora, doce de banana, pirulito, e o melhor de tudo é que ela faz por encomenda!

TEXTO/VAN: NARA MENDONÇA

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