Vamos fofocar sobre teatro?

Rhonan Moreira

Conheça a história da Companhia Fofocas de Teatro, trupe que começou suas atividades no ano de 2010 e hoje se consolida como uma realidade cultural em Barroso e região

Cia. Fofocas de Teatro – A Família Barata / Foto: Divulgação

Senhoras e senhores, bem-vindos ao mundo do teatro! Esse mundo do qual a Companhia Fofocas de Teatro passou a fazer parte no ano de 2010, atraindo jovens da comunidade de Barroso, interior de Minas Gerais, e fazendo crescer nos moradores da cidade o gosto pela arte de representar, emocionando e fazendo rir crianças, jovens e adultos.

A companhia foi fundada durante um processo de oito meses de capacitação em artes cênicas, por meio do projeto Circulando, que contou com o patrocínio cultural da empresa Holcim (Brasil) S.A., grupo cimenteiro que possui uma unidade de fábrica na cidade. Ao final do projeto, a trupe apresentou, na 1ª edição do Festival de Teatro de Barroso (FesteBarroso), ainda em 2010, o espetáculo “Paraíso Bye, Bye!”.

E daí, entraram, de vez, no paraíso. Devido ao sucesso e à credibilidade do grupo no município, foi realizado um investimento para a montagem do espetáculo “A Família Barata”, com produção profissional e alta qualidade de figurinos e direção. 

A alegre família de baratinhas se apresentou na 2ª edição do FesteBarroso, em 2011, sendo considerada uma das melhores apresentações do evento, elogiada e equiparada às produções de grupos profissionais de Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O sucesso foi tanto que a companhia voltou a apresentar a peça no ano de 2012, a pedido do público e da produção do festival, sendo uma das primeiras a ter seus ingressos esgotados.

E os planos das baratas não se esconderam nos entulhos ou nos porões e amontoados de lixo. Para 2013, está prevista a circulação de “A Família Barata” por oito cidades mineiras,
através de um projeto da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, apresentado pela MBYÁ Produções, de Belo Horizonte. 

Rhomana Neves, de 25 anos, outra participante da Companhia Fofocas de Teatro, fala, animada, de sua participação na peça: “Apresentar A Família Barata é uma experiência maravilhosa, pois eu sempre ficava nos bastidores e, então, pude fazer a baratinha Margarida”, declara ela, citando o nome de sua personagem e pontuando, ainda, que também adora trabalhar na produção do teatro.

Antônio Severo, 27 anos, integrante da Companhia Fofocas de Teatro, é um dos mais motivados. O jovem é um dos líderes da trupe e destaca que, paralelo às apresentações, está sendo feito um trabalho de fortalecimento do grupo, a partir da adesão de novos integrantes, além de apresentações do espetáculo de rua “Circo Alegria”.

Cia. Fofocas de Teatro – Paraíso Bye Bye / Foto: Divulgação

Segundo Severo, a Companhia Fofocas de Teatro é um grupo forte e com bons talentos individuais. “Já provamos isso nas apresentações das três edições do FesteBarroso, e já nos apresentamos em BH, o que foi um termômetro para avaliarmos o nível de nossa apresentação. E o resultado foi super positivo”, avalia. 

No entanto, nem tudo é paraíso, baratas alegres e malabares na vida do grupo. Alguns fatores pesam no processo de profissionalização da companhia.“Apesar do nível do grupo, ainda vivemos com a questão da informalidade, uma vez que não somos legalizados e isso nos impede de acessar os editais de incentivos à cultura”, lamenta Severo, que coloca como uma das metas para 2013 registrar o grupo como associação cultural.

Sobre os desafios do teatro no interior, Severo coloca que “fazer teatro em uma cidade pequena é complexo, uma vez que o retorno financeiro não é visível e, por causa disso, muitos desanimam no meio do processo, já que a vida não para”. 

Por outro lado, o jovem vê com otimismo a questão de que alguns integrantes estão afastados das atividades do grupo para se dedicarem ao estudo relacionado ao teatro, sendo três deles graduandos em Artes Cênicas pela Universidade Federal de São João del-Rei, inclusive com dois desses já com atividades integradas ao elenco do Grupo Manicômicos. 

A opinião do jovem é compartilhada pela colega Rhomana. Ela também acredita que a falta de patrocínio compromete, e muito, a sequência dos trabalhos. Ainda assim, sonha com o fortalecimento do grupo na cidade e com a efetiva mudança do amadorismo para o profissional.

Sobre os planos para o futuro, Severo, que atualmente cursa Especialização em Gestão Cultural pelo SENAC-MG, é esperançoso: “Vejo que a Companhia Fofocas de Teatro tem tudo para contribuir muito para Barroso e região, e o caminho desse sucesso é a profissionalização do grupo, através da formalização, estudos e força de vontade”. 

E, na cidade de Barroso, ninguém duvida que “os meninos do teatro” vão chegar longe. Basta ver, em cada apresentação da trupe, o entusiasmo e a alegria das famílias, que aplaudem de pé a criatividade, o talento e o amor pela arte.

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