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Exibição dos documentários “Eu aprendi macumba” e “Esse rosário é meu” - Fotografia por Dani da Gama

Voz dos Ancestrais: descriminalização da Cultura Negra

Adeptos de religiões afro-brasileiras se reuniram no Campus Dom Bosco para falar sobre a intolerância religiosa

Pais e filhos de santo, estudantes, advogados e grupos como o Dandara e Raízes da Terra se reuniram em uma roda de conversa sobre a intolerância às religiões de matriz africana no último sábado, 03. Com direito a exibição de documentários e roda de jongo, o evento ocorreu no Campus Dom Bosco da UFSJ.

O documentário “Eu aprendi macumba”, produzido pelo estudante de história Rafael Teodoro, e fragmentos do documentário “Esse rosário é meu”, relataram as vivências de grupos religiosos em São João del-Rei e na região do Campo das Vertentes. As exibições fomentaram o debate sobre a perseguição de fanáticos religiosos e o preconceito enraizado na sociedade, que é transmitido às crianças e reproduzido nas escolas; além disso, relatos de discriminação sofridos pelos integrantes também foram transmitidos.

 Exibição dos documentários “Eu aprendi macumba” e “Esse rosário é meu” - Fotografia por Dani da Gama
Exibição dos documentários “Eu aprendi macumba” e “Esse rosário é meu” – Fotografia por Dani da Gama

Empoderamento e união foram as palavras mais abordadas durante a conversa, empoderamento no sentido de não se deixarem abalar e também de não se calarem perante um ato criminoso e discriminatório. O advogado Felippe Emanuel, especialista em política criminal, instruiu e tirou as dúvidas dos participantes sobre como e quando reagir em casos de racismo e intolerância religiosa: “Temos que pensar que política é a nossa vida pessoal, a nossa manifestação religiosa, e assegurar espaços como esse”, afirmou. Outros fatores também foram apontados:

“A questão do fator econômico, quando se divide para dominar, é um sistema que elegeu um povo mundialmente para ser a massa com a mão-de-obra mais barata, e também a questão da culturalização, a expressão da cultura negra como marginal, porque é uma cultura que não é adequada ao sistema econômico capitalista em contrapartida com o cristianismo, a expressão máxima de um sistema adaptado a uma economia de exploração”. O estudante de geografia Elias Rosa, comentou que não há como falar de racismo e das perdas culturais resultantes sem falar do sistema econômico em que estamos inseridos.

ennifer Souza recitando o poema “Súplica” de Noemia de Sousa - Fotografia por Valentina Heusi
Jennifer Souza recitando o poema “Súplica” de Noemia de Sousa – Fotografia por Valentina Heusi

A demonização dos orixás também foi comentada na roda de conversa. Os integrantes concordaram que as pessoas precisam parar de compará-los com os demônios vigentes no Cristianismo, além de deixar o maniqueísmo de lado e estudarem um pouco mais sobre os orixás. Eles ressaltaram que esse estigma de “macumba e feitiçaria” é completamente errado, já que macumba não está ligada a magia negra como no imaginário da maioria das pessoas. 

 Encerramento com roda de jongo e maracatu
Encerramento com roda de jongo e maracatu

Zilvan Lima, um dos organizadores do evento, relembra o cortejo que ocorreu no dia 4 de julho, pela paz e contra a discriminação e intolerância religiosa em São João del-Rei, e, lembra, que ficou clara a necessidade de mais discussões sobre o assunto, justificando esta intervenção e indicando projetos futuros. A intolerância religiosa e qualquer situação que venha comprometer a liberdade de práticas religiosas são crimes e estão asseguradas na Lei Nõ 11.635, de 27 de dezembro de 2007. 

TEXTO/VAN: CÍCERA ROSA

FOTOS: REPRODUÇÃO

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